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ONU: empresas não podem reivindicar neutralidade do carbono se investem em combustíveis fósseis

"A neutralidade do carbono é totalmente incompatível com o investimento sustentado em combustíveis fósseis", afirma Antonio Gutierres

De acordo com as promessas de descarbonização dos últimos meses, 90% da economia global está coberta por algum tipo de promessa de neutralidade de carbono, (Anadolu Agency/Getty Images)

De acordo com as promessas de descarbonização dos últimos meses, 90% da economia global está coberta por algum tipo de promessa de neutralidade de carbono, (Anadolu Agency/Getty Images)

A
AFP

8 de novembro de 2022, 14h14

As empresas que reivindicam um compromisso com a neutralidade de carbono não podem continuar investindo em combustíveis fósseis, causar desmatamento ou "compensar" as emissões em vez de reduzi-las, disse um duro relatório de especialistas da ONU nesta terça-feira (8).

"A neutralidade do carbono é totalmente incompatível com o investimento sustentado em combustíveis fósseis", explicou o relatório, encomendado pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que pediu o fim do "engano tóxico" que essas práticas acarretam.

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Os especialistas querem, assim, colocar um limite ao chamado "greenwashing" usado por empresas, cidades e países.

De acordo com as promessas de descarbonização dos últimos meses, 90% da economia global está coberta por algum tipo de promessa de neutralidade de carbono, segundo o site especializado Net Zero Tracker.

"É muito fácil anunciar que você será neutro em carbono até 2050. Mas é preciso entregar, e o que vimos não é ação suficiente", disse Catherine McKenna, ex-ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Canadá e chefe do painel de especialistas.

"Temos que fazer duas coisas para chegar a zero carbono: reduzir drasticamente as emissões" de gases de efeito estufa "e investir em energia limpa", disse à AFP.

No momento, afirmou, é "extremamente difícil" avaliar adequadamente se as empresas estão cortando emissões e pediu maior transparência.

O relatório faz várias recomendações, incluindo que os governos apliquem regulamentação vinculante.

Outra recomendação central do painel é que os planos de neutralidade de carbono estejam alinhados com a ambiciosa meta do Acordo de Paris de 2015 de limitar o aquecimento global a +1,5ºC até o final do século, em comparação com a era pré-industrial.

Para conseguir isso, cientistas da ONU estimam que é necessário cortar as emissões globais pela metade até 2030.

Nos últimos tempos, a preocupação se espalhou pelo fato de muitas empresas não reduzirem as emissões de acordo com as recomendações científicas, ou alegarem estar compensando sua crescente poluição comprando "créditos" ou anunciando planos de reflorestamento ou de desenvolvimento de energias renováveis.

"Não se pode simplesmente comprar créditos de carbono baratos" que muitas vezes carecem de "integridade", destaca Catherine McKenna.

"Se você quer tirar 10, não basta vir para a aula. Você ganha 10 trabalhando, o que você não pode fazer é pagar alguém para fazer isso, você tem que fazer isso sozinho", enfatizou.

O relatório acrescenta que as promessas de longo prazo devem ser acompanhadas de planos precisos, com metas a cada cinco anos.

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