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Na Unilever, maionese vira energia e evita 400 toneladas de CO2 por ano

Projeto usa biodigestor com IA para reaproveitar resíduos industriais e avançar na descarbonização da gigante de alimentos, que acaba de anunciar a venda da divisão para a americana McCormick

Biodigestor trata resíduos ricos em óleos e graxas e os transforma em biogás, utilizado como fonte de energia na fábrica

Biodigestor trata resíduos ricos em óleos e graxas e os transforma em biogás, utilizado como fonte de energia na fábrica

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 6 de abril de 2026 às 14h15.

Última atualização em 6 de abril de 2026 às 14h49.

O que fazer com os resíduos da produção de maionese? Na Unilever, a Hellmann’s se posiciona como protagonista de uma virada na forma como a indústria alimentícia lida com o problema. Nos últimos dias, a companhia anunciou a venda de sua divisão de alimentos em um acordo bilionário com a americana McCormick.

A fábrica da companhia em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, responsável por 100% da maionese da marca vendida no Brasil, investe em um biodigestor que transforma sobras do processo produtivo em energia limpa.

A solução surgiu da combinação entre biotecnologia e inteligência artificial. O sistema opera com uma IA chamada Cerebra, que funciona como um "gêmeo digital" da máquina: monitora em tempo real variáveis como temperatura, pressão e composição do gás, antecipa instabilidades e ajusta o processo antes que desvios comprometam a geração.

O resultado é significativo para a gigante de alimentos: o biodigestor evita a emissão de 350 a 400 toneladas de CO2 por ano e usa o próprio biogás gerado para aquecer o processo, eliminando a dependência de combustíveis fósseis nessa etapa.

O projeto, desenvolvido em parceria com a Unicamp e considerado inédito nas Américas para esse tipo de material em escala industrial, opera de forma contínua.

Segundo Rodrigo Cano, responsável técnico pelo biodigestor da unidade, "hoje é possível prever problemas e aumentar a eficiência com mais segurança".

Para Edmundo Mollo, diretor da unidade, a tecnologia representa mais do que um ganho ambiental.

"Transformamos um resíduo complexo em uma fonte de energia limpa, com impacto direto na redução de emissões e na eficiência da fábrica", afirma.

Com retorno previsto em menos de cinco anos, a iniciativa faz parte de uma estratégia de quatro fases iniciada em 2012, que inclui uso de biomassa e compostagem interna. A etapa final, prevista para 2026, deve ampliar ainda mais a autossuficiência energética da planta.

O movimento não é isolado. Em 2025, outra fábrica da companhia, em Vinhedo (SP), passou a operar com biometano no lugar do gás natural, com fornecimento da Ultragaz, em mais um passo rumo à descarbonização das operações no país.

Uma das metas da Unilever é utilizar 100% de energia renovável na fabricação de seus produtos até 2030.

O lado invisível da maionese

Embora seja um composto orgânico, a maionese é formulada para resistir à degradação: rica em óleos e graxas, tem alta estabilidade química e potencial de contaminar efluentes. Em escala industrial, isso representa um passivo ambiental relevante.

Essa mesma resistência que garante longa vida nas prateleiras torna o descarte um desafio técnico.

“O grande desafio foi quebrar essa estabilidade de um passivo que foi pensado justamente para não se degradar facilmente”, explica Cano.

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