Na ONU, indígenas e empresas buscam criar soluções sustentáveis com trilha sonora de Alok

DJ e filantropo se une ao Pacto Global da ONU Brasil para criar o Fundo Ancestrais do Futuro, para apoio a produção de cinema, música e games com protagonismo indígena
Alok e lideranças indígenas em encontro na ONU (Alok/Divulgação)
Alok e lideranças indígenas em encontro na ONU (Alok/Divulgação)
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Da RedaçãoPublicado em 16/09/2022 às 15:36.

Instituto Alok e o Pacto Global da ONU no Brasil realizam em Nova York o evento “O Futuro é Ancestral”, encontro que ocorrerá em 16 de setembro no prédio da Organização das Nações Unidas durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. No evento, empresas, instituições e especialistas irão compor um painel de diálogo sobre como a indústria do entretenimento pode contribuir para a ressignificação do imaginário sobre a identidade dos povos originários e sua importância para a co-criação de um futuro justo e sustentável, no contexto das soluções para a crise climática - um dos principais desafios do nosso tempo.

No painel, estão confirmadas as participações dos jovens indígenas Eric Terena, DJ, produtor musical, membro idealizador da Mídia Índia e integrante da Youth4Climate; Samela Sateré-Mawé, comunicadora da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), ativista do Fridays for Future Brasil e apresentadora no Canal Reload e Kamikia Kisedje, fotógrafo e cineasta ambiental; do cientista Carlos Nobre, pesquisador da Universidade de São Paulo, membro da Royal Society; de Marcos Nisti, cofundador da Maria Farinha Filmes e VP do Alana; Carolina Pasquali, diretora executiva do Greenpeace Brasil; Patricia Ellen, empreendedora da economia verde, sócia da Systemiq e da Aya Initiative; e de Alok, DJ e fundador do Instituto que leva o seu nome e dedica recursos à diversas causas sociais no mundo. Cris Bartis, co-fundadora da Plataforma Mamilos de Diálogo, será a mediadora da conversa. O evento tem apoio da BeFly, ecossistema de negócios focado em turismo.

No topo da agenda global

Na programação, o artista Alok gravará uma performance no rooftop do edifício da ONU, ao lado dos artistas indígenas Mapu Huni Kuî, Owerá MC e Grupo Yawanawa, que participam do álbum ‘O Futuro é Ancestral’, a ser lançado globalmente no próximo ano, com todo o lucro revertido para os artistas indígenas. O conteúdo será levado ao mundo, no intuito de evidenciar a urgência da promoção e defesa dos direitos dos povos indígenas de ocuparem múltiplos territórios na sociedade contemporânea. Enquanto isso, os bastidores e processo criativo serão filmados pela produtora de entretenimento de impacto Maria Farinha Filmes, como parte de um documentário que investiga a potência do encontro entre Alok e os diversos grupos indígenas desde o início da criação do álbum - obra inédita na carreira do artista.

“Levar a sabedoria ancestral da floresta ao mundo faz parte não apenas dos meus objetivos artísticos, mas dos meus princípios como cidadão. Desde que tive contato com a cultura dos povos originários, entendi a importância da preservação e disseminação de seus conhecimentos e de desconstruirmos conceitos, crenças e narrativas que contaminam a visão que adultos e jovens do meu país, e de todo o mundo, têm sobre os indígenas. O futuro pode ser tecnológico e sustentável, mas para isso precisamos ouvir a voz da floresta e co-criar as soluções juntos com essas vozes”, diz Alok, artista e presidente do Instituto Alok.

“O que a gente fez com Alok foi gravar a nossa música para passar de geração em geração, porque um dia isso seria preciso para compartilhar com os homens que não têm conhecimento do que é a floresta!” diz Rasu Yawanawa, um dos líderes indígenas que participa do álbum. “A natureza fala pra gente através dos pássaros, dos seres que vivem na floresta”, completa Mapu Huni Kuî, indígena que estará presente na performance em Nova York.

A ação é apoiada pelo Greenpeace, ONG que tem como uma de suas pautas a importância da presença dos povos indígenas em discussões pela proteção do clima e do meio ambiente: "Os povos indígenas vêm vivendo em harmonia com a floresta há milhares de anos. Sua cultura e conhecimento ancestral são essenciais para a garantia de um planeta sustentável e justo para todos. Por isso, precisamos trabalhar juntos para garantir que os povos originários participem ativamente das discussões e das tomadas de decisão, tanto no âmbito nacional quanto no global", ressalta Carolina Pasquali, Diretora Executiva do Greenpeace Brasil.

Seja um Ancestral do Futuro

Logo após o painel, o Instituto Alok e o Pacto Global assinarão parceria com o intuito de buscarem conjuntamente a criação do Fundo Ancestrais do Futuro, para apoio a produção de cinema, música, games e Web3 protagonizada pelos próprios indígenas, e a projetos baseados no uso de tecnologia para o bem-estar dos povos da floresta e a preservação da biodiversidade.

O Fundo convida empresas e organizações do terceiro setor, além de indivíduos, a contribuírem para a criação de uma plataforma em que todos possam trabalhar em conjunto para o fortalecimento da identidade indígena na sociedade, ampliando o repertório sobre essas culturas e estabelecendo uma nova compreensão sobre a sua importância para o futuro planetário.

“Desde 1500, com a chegada dos portugueses, há um preconceito enorme contra a gente, com os povos indígenas, falam que o indígena, quando usa o rap, ele perdeu a sua cultura. E, quando a gente mostra a nossa cultura, falam que o indigena é selvagem. Mas a gente vai continuar seguindo, mostrando nossa cultura, nossa arte e nossa tecnologia, que também é a nossa cultura!”, diz Owerá MC.

O Pacto Global da ONU no Brasil, é uma entidade que tem o fundamental papel de chamar o setor privado à ação, por meio de compromissos públicos em sustentabilidade, em torno de um planeta mais saudável. “Vivemos na era do capitalismo de stakeholders, em que não é mais possível separar os valores de uma empresa do valor de mercado. A sociedade está cobrando. Cada um tem que se responsabilizar e fazer a sua parte. É preciso agir, e agir agora, para que a gente consiga atingir os objetivos da Agenda 2030. É a única saída possível”, explica Carlo Pereira, CEO do Pacto Global no Brasil.

Para Devam Bhaskar, diretor do Instituto Alok, “desconstruir a visão colonizadora sobre os povos indígenas está na base das urgências relacionadas ao respeito aos direitos humanos e à preservação e regeneração da natureza”. O Instituto Alok realiza ações sócio culturais em vários pilares como empreendedorismo, gastronomia social e desenvolvimento humano, além de vários projetos com os povos indígenas.

Otávio Toledo, diretor de Relações Institucionais do Pacto Global da ONU no Brasil, destaca a abrangência e o formato da iniciativa na ONU. “Trazer para o tema do Clima uma abordagem sobre cultura e entretenimento é fundamental para conectar a pauta com novos e diferentes públicos e engajar muito mais gente no reconhecimento da importância da população indígena e seus conhecimentos ancestrais na preservação da biodiversidade”.