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Mulheres em conselhos: números são baixos, mas, pela primeira vez, há abertura das empresas

Carolina Niemeyer, da Women on Board, apresenta um panorama da evolução da diversidade nos conselhos de administração brasileiros

 (Matthew Leete/Getty Images)

(Matthew Leete/Getty Images)

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Por Carolina Niemeyer*

31 de outubro de 2022, 08h00

Muitas mulheres têm me procurado ultimamente para conversar sobre o tema “Mulheres em Conselhos”. As perguntas são, muitas vezes, semelhantes e por isso resolvi escrever sobre o tema.

Estamos vivendo uma fase de transição e como em toda fase de mudança, a insegurança e receio caminham lado a lado à vontade de se fazer diferente.

Como co-fundadora do WOB - Women on Board, associação que certifica empresas que possuem duas ou mais mulheres em seus conselhos e que buscam o selo voluntariamente, o cenário é ainda frustrante e “como é que eu vou conseguir uma vaga num ambiente tão masculino e fechado?” é uma pergunta que escuto com frequência.

Sim, os números no Brasil ainda são baixos; sim, 37% das empresas de capital aberto ainda não possuem uma única mulher em seus conselhos de administração; sim, é difícil romper barreiras e fazer diferente, mas, pela primeira vez, há abertura das empresas, da B3 e do mercado para que isso aconteça.

“Então, como que eu faço para participar desses conselhos?” A primeira resposta passa sempre por uma avaliação de cada uma das capacidades adquiridas por aquela mulher ao longo de sua carreira. Por mais difícil que seja descrever as suas qualidades, é essencial saber exatamente o que você traz para aquela discussão. Quais são os seus atributos que podem contribuir com aquela empresa? Como a sua história e experiência vão poder agregar numa reunião de conselho?

Sabendo contar a sua história e como suas capacidades adquiridas ao longo dela se convergem é o primeiro passo a ser dado na jornada da busca por uma vaga em conselho. Ter consciência de como os erros e acertos, as guinadas e mudanças ao longo do caminho resultaram na profissional que você é hoje vai trazer a segurança necessária para que você busque e ache a vaga em que vai poder contribuir mais. Afinal, ninguém quer sentar-se numa mesa de Conselho de Administração para ouvir sem poder contribuir. Ou, se isso eventualmente acontecer, não vai se sustentar. Queremos vagas aonde participamos das decisões estratégicas, aonde nosso olhar diferenciado sobre aquela questão específica vai enaltecer o debate. Aonde as nossas perguntas e dúvidas vão gerar os questionamentos que podem eventualmente mudar o rumo do negócio. Sim, o papel do conselho é trazer para a mesa perguntas que façam a gestão refletir.

Sempre recomendo que em entrevistas as mulheres perguntem ao(à) entrevistador(a) o que se espera daquele Conselho de Administração/Conselho Consultivo? Qual o papel esperado da vaga para a qual se está entrevistando? Dessa forma, fica mais fácil avaliar se há ou não sinergia entre a vaga e a sua experiência.

Os movimentos a favor de mais diversidade estão aumentando pois o impacto positivo da diversidade está cada dia mais comprovado com dados e estatísticas e, portanto, estamos trilhando um caminho sem volta.

A recente audiência pública aberta pela B3 para discutir uma proposta de regra de diversidade nos Conselhos de Administração de companhias listadas é um ótimo indicativo desse movimento; o crescimento do selo WOB-Women on Board, outro.

Havendo mais vagas, vamos conseguir preenchê-las e comprovar cada vez mais o impacto que a visão diferente traz para os negócios e, em especial, para os riscos e soluções que se apresentam quando trazemos essa nova visão. Não tenham receio de pedir uma vaga ou pedir para participarem de um processo que está em aberto. Conselhos se formam das mais variadas formas.

 

*Carolina Niemeyer é co-fundadora do WOB-Women on Board, conselheira de empresas e membro de comitês financeiros e advogada.