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Mais de 5 mil morrem por onda de calor na Alemanha: entenda a crise na Europa

A Europa Ocidental registrou o mês de junho mais quente desde o início das medições, com temperatura média de 20,74°C; Na Espanha, incêndios florestais já deixam 12 mortos

A Europa enfrentou três ondas de calor intensas em apenas três meses, situação considerada incomum e agravada pelas mudanças climáticas (Sylvain Sonnet/Getty Images)

A Europa enfrentou três ondas de calor intensas em apenas três meses, situação considerada incomum e agravada pelas mudanças climáticas (Sylvain Sonnet/Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 10 de julho de 2026 às 12h04.

A onda de calor que atingiu a Europa nas últimas semanas já provocou milhares de mortes e levou cientistas a confirmar um novo recorde climático. A Europa Ocidental registrou o mês de junho mais quente desde o início das medições.

Somente na Alemanha, o Instituto Robert Koch (RKI), órgão responsável pela saúde pública do país, estima que 5.120 pessoas morreram neste ano por causas relacionadas ao calor extremo.

Por que tantas pessoas morreram?

Segundo o instituto alemão, cerca de 4.270 das vítimas tinham 75 anos ou mais. As mulheres representam a maioria dos óbitos porque correspondem à maior parcela da população muito idosa.

Os números se concentram principalmente no fim de junho, quando as temperaturas médias semanais ficaram muito acima dos 20°C em diversas regiões do país.

Durante o auge da alta dos termômetros, a cidade de Colônia registrou 120 mortes em apenas um fim de semana, quatro vezes mais do que o esperado para o período.

Além da Alemanha, autoridades nacionais contabilizaram mais de 4.700 mortes em excesso durante a onda de calor registrada entre os dias 20 e 28 de junho na França, Bélgica, Espanha e Holanda.

Por que o calor foi tão intenso?

Segundo o Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas da União Europeia, a temperatura média da Europa Ocidental atingiu 20,74°C em junho, mais de três graus acima da média registrada entre 1991 e 2020.

O mês também foi o segundo junho mais quente já registrado em todo o planeta, enquanto a temperatura da superfície dos oceanos atingiu o maior nível já observado para o período.

De acordo com os cientistas, a Europa enfrentou três ondas de calor intensas em apenas três meses, situação considerada incomum.

Qual a relação com as mudanças climáticas?

Especialistas afirmam que o aquecimento global elevou a temperatura média do planeta em cerca de 1,4°C em relação ao período pré-industrial, tornando as ondas de calor mais frequentes e intensas.

Embora um forte fenômeno El Niño esteja influenciando o aquecimento dos oceanos, estudos indicam que ele não foi responsável pela onda de calor europeia. Os cientistas apontam as mudanças climáticas como o principal fator por trás do fenômeno. 

Quais foram os outros impactos?

Além do aumento da mortalidade, o calor extremo provocou interrupções no fornecimento de energia, fechamento de escolas, agravamento da seca e favoreceu incêndios florestais na Espanha, em Portugal e em partes da França.

As previsões indicam que novas ondas de calor podem atingir partes da Europa durante o restante do verão, mantendo elevado o risco para a população mais vulnerável e para áreas suscetíveis a incêndios.

Na Espanha, incêndios florestais deixam 12 mortos

Um incêndio florestal na província de Almería, no sul da Espanha, deixou ao menos 12 mortos e 23 desaparecidos, segundo o balanço mais recente das autoridades desta sexta-feira, 10.

A tragédia já é considerada uma das mais graves da história recente do país e ocorre em meio a uma temporada de incêndios que começou antes do habitual.

O fogo atingiu a região de Los Gallardos, uma área montanhosa próxima ao litoral mediterrâneo, e se espalhou rapidamente na quinta-feira, 9, surpreendendo moradores e turistas.

Segundo as autoridades da Andaluzia, a maioria das vítimas morreu ao tentar fugir das chamas, contrariando as orientações das equipes de emergência.

Quatro pessoas foram encontradas mortas dentro de um carro. Outras abandonaram seus veículos e tentaram escapar a pé por caminhos que não faziam parte da rota oficial de evacuação. Muitas vítimas ainda aguardam identificação por exames de DNA.

As autoridades acreditam que grande parte dos mortos seja formada por estrangeiros. A região é um destino turístico bastante procurado por britânicos, franceses e belgas, além de abrigar muitos moradores de outros países.

O incêndio também deixou oito feridos, quatro deles em estado grave, enquanto dezenas de equipes seguem procurando desaparecidos.

O presidente da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, afirmou que as chamas avançaram "como pólvora". Em poucas horas, o fogo consumiu cerca de 3.200 hectares de vegetação.

A combinação de ventos fortes, terreno acidentado e vegetação extremamente seca dificultou o combate às chamas e transformou a área em uma espécie de armadilha para quem tentava deixar o local.

A principal hipótese é que o incêndio tenha começado após a queda de um cabo de energia sobre a vegetação. A concessionária responsável, porém, contesta essa versão e afirma que o cabo não estava energizado. A causa segue sob investigação.

Por que a temporada de incêndios começou mais cedo?

A Espanha enfrenta uma sequência de ondas de calor desde o início do verão europeu, o que deixou grande parte da vegetação ressecada semanas antes do período normalmente mais crítico para incêndios florestais.

Bombeiros florestais afirmam que incêndios desse porte costumavam ocorrer principalmente em agosto, mas agora estão começando muito antes devido às temperaturas elevadas.

Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, aproximadamente 57 mil hectares já queimaram na Espanha em 2026, o equivalente a cerca de 40% de toda a área incendiada registrada na União Europeia neste ano.

As autoridades alertam que o verão europeu ainda está no início e que o risco permanece elevado. Um inverno chuvoso favoreceu o crescimento da vegetação, que secou rapidamente durante as ondas de calor e passou a servir de combustível para novos incêndios.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez lamentou as mortes e pediu que a população siga rigorosamente as orientações das equipes de emergência em futuras evacuações.

*Com informações da AFP

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