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Maior centro de inovação em irrigação do mundo chega ao Brasil com aposta de empresa austríaca

Komet investe R$ 2 milhões no país mirando dobrar sua receita global e já economiza cerca de 250 bilhões de litros de água por ano: "A irrigação é um seguro do agronegócio", diz diretor global

Gustavo Hossri, diretor global de inovação da Komet: "“O produtor não quer desperdiçar água nem energia, a irrigação funciona como um seguro" (Divulgação)

Gustavo Hossri, diretor global de inovação da Komet: "“O produtor não quer desperdiçar água nem energia, a irrigação funciona como um seguro" (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 17 de abril de 2026 às 17h00.

Última atualização em 17 de abril de 2026 às 17h02.

Transformar a fazenda em um ativo econômico mais resiliente diante das mudanças climáticas e menos dependente da "sorte da chuva" virou uma questão de sobrevivência do agronegócio brasileiro.

Nesse cenário, a irrigação de precisão ganha espaço como infraestrutura crítica de produção, ao permitir previsibilidade, ganho de eficiência e até a ampliação de safras.

“Irrigação entrou no Brasil como um "seguro" do negócio, funcionando como um ‘empréstimo’ de água”, afirma Gustavo Hossri, diretor global de inovação e gerente-geral da Komet para Brasil e América Latina, em entrevista à EXAME.

Agora, essa solução ganha uma nova escala. A austríaca Komet escolheu o Brasil para sediar o maior centro global de inovação em irrigação, com investimento de R$ 2 milhões em pesquisa e desenvolvimento.

A iniciativa faz parte da estratégia da multinacional para dobrar sua receita global nos próximos cinco anos e posiciona o país como peça-chave deste mercado.

Hoje, o Brasil tem cerca de 40 mil pivôs centrais instalados, mas apenas uma parcela ainda utiliza tecnologias mais avançadas de aplicação de água.

Para a Komet, essa lacuna representa uma oportunidade de crescimento relevante em um setor que pode se expandir de 2,4 milhões para mais de 30 milhões de hectares irrigados.

Segundo o diretor, o Brasil reúne uma combinação rara de escala agrícola, clima tropical e potencial de expansão. Além disso, a possibilidade de produzir até três safras por ano é mais um "privilégio natural".

Nesse contexto, a irrigação deixa de ser apenas uma solução para períodos de seca e passa a ser uma estratégia para aumentar produtividade sem expandir área, em um cenário de restrições ambientais e pressão por sustentabilidade frente ao desmatamento.

Na prática, eficiência hídrica se traduz diretamente em redução de custos e aumento de produtividade.

Hoje, a empresa já contribui para economizar cerca de 250 bilhões de litros de água por ano apenas no Brasil. No mundo, esse número ultrapassa 700 bilhões de litros anuais.

O impacto também chega ao consumo de energia. Sistemas modernizados podem reduzir o gasto energético em cerca de 15%, com casos que chegam a 30% dependendo da operação.

“O produtor não quer desperdiçar água nem energia”, destaca Gustavo.

A tecnologia por trás: como funcionam os aspersores

No centro dessa transformação está um componente pouco visível, mas decisivo: o aspersor, acoplado a pivôs centrais. Essas estruturas metálicas que percorrem a lavoura distribuindo água e são responsáveis por transformar o fluxo contínuo em gotas que simulam a chuva.

“A missão do aspersor é fazer a gota chegar ao solo”, resume Gustavo.

Parece simples, mas o desafio é grande. Se as gotas forem muito pequenas, evaporam antes de atingir o solo. Se forem grandes demais, podem compactar a terra ou causar desperdício. [grifar]O equilíbrio entre tamanho, pressão e distribuição define o nível de eficiência da irrigação.

Komet

É aí que antra a tecnologia da Komet, que busca justamente otimizar esse processo, garantindo maior uniformidade na aplicação e reduzindo perdas por evaporação e deriva.

Em condições ideais, os sistemas atingem níveis de uniformidade superiores a 95% e reduzem perdas em mais de 20% em relação a soluções convencionais.

Os resultados em economia de energia e água vem não apenas da mecânica mais eficiente, mas também do uso de dados e inteligência artificial. Sensores e modelos matemáticos permitem calcular, por exemplo, o nível de evaporação durante a irrigação, uma variável que historicamente não era mensurada no campo.

Como funciona o hub de inovação e pesquisa

O novo centro de inovação no Brasil nasce justamente para acelerar essa transformação digital. O espaço funciona como um laboratório avançado, com simulações de vento, sensores e coleta de dados em tempo real para avaliar o desempenho dos equipamentos em diferentes condições.

“Vamos conseguir entregar ao produtor informações que ninguém nunca teve em mais de 70 anos”, diz o diretor.

A ideia é transformar o aspersor, antes um componente puramente mecânico, em uma fonte de dados, capaz de indicar desgaste, eficiência e até o melhor momento para manutenção ou substituição.

Na prática, isso permite que o produtor tome decisões mais precisas, reduza desperdícios e aumente o retorno sobre o investimento.

Mais do que um laboratório, funcionará como um hub de inovação aberto ao ecossistema do agro. Produtores, distribuidores e parceiros poderão acompanhar testes, acessar dados e interagir com as tecnologias em desenvolvimento.

Para o executivo, a escolha do Brasil também reflete a maturidade do produtor local, que historicamente adota novas práticas com rapidez, e o papel crescente do país na segurança alimentar global.

Ao permitir produzir mais na mesma área e com menor uso de recursos, a tecnologia pode se tornar uma das principais alavancas para o crescimento sustentável do agro e a aposta da Komet coloca o Brasil na dianteira da transformação. 

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