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Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 20h59.
O terceiro leilão do Programa Eco Invest Brasil alcançou R$ 52,8 bilhões em investimentos em participação societária, ou equity.
O resultado foi divulgado nesta quarta-feira, 28 de janeiro, pelo Tesouro Nacional. Desse total, R$ 15 bilhões foram homologados como capital público catalítico, valor destinado a destravar os aportes privados em equity.
Coordenado pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fazenda, o programa tem o propósito de atrair capital estrangeiro para projetos voltados à transição ecológica, com apoio do Fundo Clima.
Nesta fase, os recursos do Eco Invest serão repassados a instituições financeiras encarregadas de estruturar instrumentos de mitigação de risco cambial e de desempenho, sem aplicação direta nos projetos contemplados.
Para Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, a iniciativa alavanca investimentos privados a partir de recursos públicos, por meio dos esforços integrados da pasta com a Fazenda, Tesouro Nacional e BNDES.
"O Eco Invest já ultrapassa R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos para a transição ecológica, evidenciando o apetite do setor privado por projetos sustentáveis e inovadores”, afirmou.
Marina ressaltou também que o resultado demonstra a convergência entre política ambiental, inovação e crescimento econômico, além da importância dos mecanismos financeiros na promoção da transição ecológica no Brasil.
“A iniciativa tem como base o Fundo Clima, que saiu do patamar de cerca de R$ 400 milhões por ano para R$ 51 bilhões, já considerando o orçamento de 2026, com recursos do Governo do Brasil, ampliando de forma expressiva a capacidade de indução do Estado", explica.
Os recursos viabilizados com o leilão deverão apoiar investimentos de longo prazo no país, direcionados a empresas de base tecnológica, startups e negócios em fase de expansão, por meio de estratégias de private equity e venture capital.
Os aportes contemplarão projetos nas áreas de bioeconomia, transição energética e economia circular, incluindo ações voltadas a superalimentos, biofertilizantes, hidrogênio verde, biogás, bioplásticos, gestão de resíduos sólidos e reciclagem de baterias.
Além de fomentar projetos com perfil inovador, o programa tem como objetivo ampliar a escala das tecnologias desenvolvidas e aumentar a competitividade de empresas brasileiras. A iniciativa também contribui para a integração do país às cadeias globais de valor, ao facilitar o acesso de companhias nacionais a mercados internacionais.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o resultado como um grande avanço para o mercado de participação societária no país. De acordo com ele, isso foi impulsionado pela inclusão de um mecanismo inédito nesta edição: o hedge cambial, que oferece proteção parcial aos investidores contra a oscilação do real.
“Estamos falando de um montante inédito até então e não apenas no âmbito do Programa, mas no mercado como um todo. Esse resultado muda o ponteiro dos mercados de private equity e venture capital no Brasil. Com esse nível de capital, aliado à proteção cambial e a um desenho de risco bem calibrado, a tese do hedge cambial se concretiza e o mercado ganha previsibilidade para operar valores maiores e ampliar o apetite por projetos de inovação alinhados à transformação ecológica”, afirmou.
Nesta etapa, seis instituições financeiras tiveram propostas aprovadas. O Itaú ficou responsável pela maior parte dos recursos, com previsão de administrar cerca de 50% do montante total, o que corresponde a uma carteira próxima de R$ 30 bilhões.
Na sequência, a Caixa Econômica Federal aparece com investimentos estimados em R$ 9 bilhões. Também foram selecionados Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil, reforçando o envolvimento do setor financeiro no apoio a projetos ligados à transição ecológica, informou o ministério do Meio Ambiente.