Leila Pereira, do Palmeiras: estou animada com o interesse das empresas pelo futebol feminino

Clube fecha acordo com a Cimed, que vai estampar a camisa das Palestrinas
 (Cimed/Palmeiras/Divulgação)
(Cimed/Palmeiras/Divulgação)
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Marina FilippePublicado em 28/09/2022 às 06:02.

O futebol feminino tem ganhado força nos clubes mais tradicionais. Um exemplo disto é o patrocínio da farmacêutica Cimed no uniforme principal das jogadoras do Palmeiras, além de patrocínio nas áreas do Núcleo de Saúde e Performance (NSP). "Temos um histórico muito forte de apoio ao esporte brasileiro. Estamos nos unindo ao Palmeiras para juntamente com a [presidente do clube] Leila Pereira, um exemplo de liderança feminina, elevar o patrocínio a um outro patamar, agregando valor para as nossas marcas", diz João Adibe Marques, CEO da Cimed.

Com um contrato vigente até o fim de 2024, a farmacêutica será responsável por levar saúde para dentro do clube, criando ações que incluem desde o desenvolvimento de produto para contribuir com o desempenho dos atletas, até o uso de elementos visuais da marca em ativos ainda pouco explorados, como a faixa de capitão, carrinho-maca, entre outros. Outra ativação prevista é a realização de campanhas para sócios Avanti.

Até 2023, a Cimed planeja investir mais de R$ 20 milhões no futebol nacional como um todo, e não abre os valores destinados ao feminino do Palmeiras. Atualmente, a farmacêutica também é patrocinadora de todas as seleções da CBF e, ao longo dos anos, já patrocinou a Stock Car, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e a Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Mulheres no futebol

Nos Estados Unidos, no mês passado, um juiz da Califórnia aprovou o acordo de 122 milhões de reais entre a Seleção Nacional Feminina de Futebol dos EUA e a Federação de Futebol do país para acabar com uma disputa de mais de cinco anos pela igualdade salarial. O acordo deve agora equiparar os salários entre homens e mulheres e assim seguir adiante.

Enquanto isto, no Brasil, no último sábado, a partida de futebol feminino entre Corinthians e Inter registrou o maior público em uma partida de mulheres entre clubes na América Latina. Ao todo foram 41.070 torcedores, sendo 40.691 pagantes, o que gerou uma renda bruta de R$ 900.981,00. 

Já no estádio do Palmeiras, Leila Pereira fez questão de reforçar -- algumas vezes -- que é a única dirigente mulher no país. "Estou muito feliz de anunciar a Cimed como patrocinadora do futebol feminino. Estou animada com o futebol feminino porque temos tido empresas interessadas na nossa equipe, e o futebol de ponta se faz com investimento, podendo melhorar a equipe, estrutura e apoio para as atletas. Para mim, como a única mulher presidente de um grande clube no país é até uma questão pessoal ver esse avanço", afirmou.

Após a coletiva, Leila falou à EXAME sobre liderança feminina:

Como ser mulher impacta sua carreira?

Fui eleita no Palmeiras porque as pessoas acreditaram que eu ia defender os interesses da instituição, e é isso que faço. Por outro lado, muitas pessoas falam que sou presidente das empresas que comando porque sou casada com José Roberto Lamacchia, mas quem conhece meu marido sabe que ele jamais deixaria uma pessoa que não fosse competende liderando as empresas.

Aqui no Palmeiras eu fui eleita por acreditaram no projeto da Leila Pereira. Quando o Palmeiras, em 2015, começou a conquistar vários títulos, as pessoas viram na minha intenção em contribuir com o clube. Em virtude disso, me elegeram conselheira, apesar dos desafios e da minha impugnação.

Apesar de ser a maior patrocinadora da historia do futebol da América do Sul, o Palmeiras é um clube tradicional, formado por homens e de origem italiana, o que gerou resistências. Lutei, venci as eleições com a maior votação da história do time, e depois bati meu próprio recorde.

Como não ser minada na carreira por machismo e seguir com uma liderança forte?

Eu sou assim desde menina. Eu sempre soube que quis trabalhar, independentemente de casar ou ter filhos. Além disso, tenho um marido que sempre me ajudou muito. E não é uma briga, a gente quer igualdade, não quer ser prejudicada ou diminuída por sermos mulheres, mas eles estão juntos.

Eu sempre quis mais do que eu tinha, não gosto de algo que me limite, pois só assim se cresce e se consegue tudo. Mulhres, é preciso arregaçar as mangas. Quando apareço como única mulher de grande clube no Brasil, estou representando todas nós.

Pesquisas mostram que a diversidade de gênero é positiva para o resultado dos negócios. Já é possível atrelar sua liderança à uma maior diversidade nos negócios e na torcida?

Hoje vejo muitas mulheres em estádio, mas temos poucas mulheres na política do Palmeiras. Por outro lado, vejo mais mulheres querendo ocupar cargos políticos nos conselhos. Eu, por exemplo, trouxe duas vice-presidentes para minha gestão.

Para isto, as mulheres precisam se posicionar, mostrar que são capazes. Fiz isto e hoje estou como presidente de um dos maiores clubes do mundo. Impor as políticas públicas são importantes, mas do nosso lado temos que lutar sempre para conseguirmos o que quisermos. Além disso, trabalhamos bastante para que mais mulheres estejam nos estádios, que a violência não coíbam as famílias.

Como ampliar o patrocínio e impulsionamento do time feminino?

O futebol masculino tem um público muito maior, e as televisões pagam para transmitir os jogos. Precisamos que o feminino se torne mais atrativo para o público, pois o patrocinador quer visibilidade, e não tenho dúvida que vamos chegar num patamar muito interessante.

O patrocínio pela Cimed mostra como conseguimos excelentes parceiros porque as empresas estão vendo como o futebol feminino pode crescer cada vez mais, especialmente com o público se conscientizando.