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Bloqueio do Estreito de Ormuz, corredor de cerca de um quinto do petróleo global, está no centro da crise energética provocada pela guerra (Stock/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 20 de abril de 2026 às 17h00.
Última atualização em 20 de abril de 2026 às 17h00.
Carvão ou energia limpa? Mais de 45 dias após o início da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, a crise energética global já funciona como um teste para a transição energética.
Um levantamento da Carbon Brief mostra que 60 países adotaram ao menos 185 medidas emergenciais para lidar com a disparada nos preços e a interrupção no fornecimento de energia.
No centro da crise está o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito, em uma interrupção classificada pela Agência Internacional de Energia (AIE) como "a maior da história do mercado".
A resposta global revela dois movimentos. De um lado, governos correm para proteger consumidores e empresas. Quase 30 países reduziram impostos sobre combustíveis, enquanto outros adotaram subsídios ou limitaram preços para conter o impacto da inflação.
Economias asiáticas como Índia, Japão e Indonésia já gastam bilhões para amortecer o choque.
De outro, sobretudo na Ásia que é a região mais dependente do petróleo do Oriente Médio, medidas mais duras ganharam espaço.
Países como Filipinas, Bangladesh e Paquistão implementaram ações para reduzir o consumo de energia, que vão de restrições ao uso de ar-condicionado e iluminação pública a limites de velocidade e incentivo ao trabalho remoto.
No total, ao menos 23 políticas focam diretamente na redução da demanda, consideradas pela agência internacional mais eficazes do que subsídios amplos.
A crise também expôs as fragilidades da transição energética. Pelo menos oito países, incluindo Japão, Alemanha e Itália, aumentaram temporariamente o uso de carvão ou adiaram o fechamento de usinas para garantir segurança no abastecimento no curto prazo.
Ao mesmo tempo, há sinais de mudança positiva. Governos na Europa e na Ásia passaram a vincular a crise à necessidade de acelerar investimentos em energia limpa e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
No Chile, foram implementadas ações como incentivos a veículos elétricos e a revisão de projetos de gás natural foram confirmados na Nova Zelândia e no Vietnã.
O cenário geopolítico reforça um paradoxo: enquanto a resposta imediata à crise ainda depende de combustíveis fósseis, o aumento dos custos e os riscos associados podem acelerar, no médio prazo, a migração para fontes renováveis.
Com infraestrutura energética danificada e incertezas persistentes no fornecimento global, a crise deve se estender mesmo diante de um cessar-fogo temporário.
Mais do que um choque pontual, o especialistas acreditam que o conflito no Oriente Médio pode redefinir o ritmo e apontar caminhos para a transição energética global.