Parceiro institucional:
Marcelo Pacífico, sócio-fundador da DUX Company: "Ser um produto que beneficia a saúde de maneira holística e integral, por si só já é um impacto positivo" (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 14h00.
Última atualização em 20 de fevereiro de 2026 às 15h03.
Há uma década, a DUX Company nasceu com uma intenção declarada de causar um impacto positivo no mundo.
Não era um slogan de marketing e nem uma exigência de investidor, mas sim uma escolha dos fundadores Lucas Barhum e Marcelo Pacífico, dois empreendedores apaixonados por saúde e esporte que identificaram uma lacuna no mercado de suplementos brasileiro.
Em 2026, a empresa de bem-estar se posiciona entre as quatro maiores do setor e projeta uma receita de R$ 1 bilhão em meio a uma febre de consumo do Whey e proteínas no país. A trajetória de crescimento acelerado, porém, não larga mão do propósito que motivou a dupla lá no início.
É neste contexto também que entra o aporte de R$ 250 milhões da XP Asset ainda em 2025, primeiro investidor externo da empresa. Mais recursos também significam mais capacidade de investir em soluções sustentáveis de embalagem, de rastreabilidade de cadeia e de impacto social.
"A sustentabilidade não é uma área isolada, mas uma diretriz estratégica da companhia que orienta o crescimento e a tomada de decisão", destaca em entrevista à EXAME, Marcelo Pacífico, Sócio-Fundador e diretor da DUX Company.
A prova disso foi a conquista recente da Certificação B Corp, uma das mais reconhecidas do mundo para negócios que equilibram o resultado financeiro com a pegada socioambiental e atendem a critérios rigorosos de ESG (meio ambiente, social e governança).
"A certificação vem como uma 'coroação' de todos esses esforços sucessivos que aconteceram ao longo da nossa jornada. Não é uma conquista individual, mas coletiva: nosso real objetivo é inspirar e mobilizar toda indústria e setor", diz Marcelo.
Julia Mercadante, diretora executiva de sustentabilidade da DUX Company, explica como a certificação foi tratada internamente: como um mapa ou "roteiro" para guiar as práticas da empresa.
"Queremos absorver ao máximo as orientações e fazer parte desta grande comunidade, pois entendemos que o impacto é sempre sistêmico: demanda pessoas e colaboração", diz à EXAME.
O processo formal começou em 2023 e durou pouco mais de um ano — com auditorias, entregas de evidências e um aprendizado que, segundo Julia, mostrou oportunidades que a DUX Company ainda não havia enxergado dentro do próprio negócio.
"Nunca estaremos totalmente prontos. O mundo evolui e as iniciativas têm que acompanhar as mudanças para responder à altura dos desafios", frisa.
Pouquíssimos consumidores sabem o que está por trás do preço de um pote de whey. O suplemento proteico mais consumido do mundo é, na prática, um subproduto do queijo.
O processo começa na pecuária, passa pela produção do insumo e só então gera o soro do leite — aquela água esbranquiçada que escorre quando se corta um queijo fresco. Desse soro, menos de 1% do volume original de leite se transforma em proteína em pó com o grau de pureza exigido pela indústria de suplementos, que é superior ao padrão da indústria alimentícia comum.
Para produzir whey em escala, uma fábrica precisa estar próxima de uma grande bacia leiteira.Já a tecnologia de filtragem que transforma esse líquido em pó de alta pureza é extremamente cara e demanda tempo de construção de dois a três anos.
Embora o fornecimento local de algumas matérias-primas ainda seja um gargalo técnico para o setor, a companhia mantém o rigor na homologação de seus parceiros estratégicos.
Isto faz com que a DUX Company dependa majoritariamente de importações da Europa e dos Estados Unidos para abastecer sua produção local. Sem dúvidas, esse é um dos maiores desafios ESG da empresa e um dos "menos visíveis ao consumidor", garante a diretora de sustentabilidade.
"A indústria local de whey é capaz de atender menos do que 10% da demanda nacional. O tempo de reação do mercado até surgir a demanda e conseguir ampliar a oferta é mais lento", sustenta Marcelo.
A rastreabilidade da cadeia, do pasto ao pote, ainda é uma fronteira que a indústria global está começando a cruzar. Um fornecedor dinamarquês com quem a DUX Company trabalha é apontado como pioneiro: ao contrário da maioria, que compra o soro de terceiros, controla toda a cadeia desde o rebanho na agricultura.
Ou seja, o escopo 3 da DUX Company, que mede emissões ao longo da cadeia de fornecedores, ainda é apurado apenas parcialmente, por falta de dados dos próprios fornecedores. Além de dificultar métricas de impacto ambiental, a importação torna o produto mais caro. Um pote de Whey da DUX Company custa de R$ 175 a R$ 300, a depender do sabor e da quantidade.
Saúde para o planeta e para todas as pessoas, não só para os consumidores. O posicionamento da DUX parte de uma premissa mais ampla do que a maioria das empresas do setor se propõe.
"Oferecer um produto que beneficia a saúde de maneira holística e integral, por si só já é um impacto positivo. A gente tem uma preocupação genuína com qualidade, e talvez seja o maior benefício que geramos para a sociedade", destaca Marcelo.
Mas a jornada de uma década fez a DUX Company entender que ser um negócio saudável é ir além e para isso a sustentabilidade precisa estar no centro da estratégia.
No pilar ambiental, a companhia opera com 100% de energia renovável na indústria, certificada via I-REC, e mantém histórico de compensação de emissões dos escopos 1 e 2 desde 2023 — com a aquisição de 301 créditos de carbono certificados para preservação de áreas de Cerrado.
Nas embalagens, investiu R$ 240 mil na reciclagem via o selo Eureciclo e adicionou "P-Life" (aditivo orgânico) que acelera a biodegradação do plástico em 100% de seus potes. No social, doou R$ 298 mil e quase 65 mil unidades de produtos em 2023 e 2024 visando a segurança alimentar.
O gargalo que ainda não tem solução é a embalagem, contou Júlia. Os produtos utilizam multimateriais que são mais leves, o que reduz emissões no transporte, mas ainda de baixa reciclabilidade pela complexidade.
Mas a empresa está constantemente buscando alternativas e já mudou a cor padrão das embalagens para branco ou preto após constatar com cooperativas que as "coloridas" reduzem a atratividade para a logística reversa. "Ainda não há solução ideal, mas estamos em constante atenção para o tema", garante a diretora.
Para Julia, a abordagem social parte de dois eixos: olhar para dentro antes de olhar para fora.
"Antes de começar a impactar comunidades, como os nossos colaboradores estão sendo cuidados? Para fora dos muros da empresa, podemos oferecer produtos, especializações, nossa influência e espaço físico. Não apenas recursos financeiros", explica.
Em 2024, a DUX Company adquiriu a Eat Clean, especializada em alimentos plant based e a Zyma, fabricante de géis energéticos de alta performance. Segundo Marcelo, ambas aquisições têm uma lógica comum que passa pela agenda de impacto: há a ambição de atender um público mais abrangente e ser uma marca cada vez mais democrática.
A expectativa é que a Eat Clean represente 30% do faturamento do grupo em cinco anos, mas o diretor garante que não há planos de tornar a DUX 100% vegana.
"As aquisições reforçam um leque maior de opções saudáveis e sustentáveis para um público cada vez maior, sempre mantendo o rigor de qualidade e o propósito de impacto positivo que nos define", afirma Marcelo.
Daqui para frente, a companhia enfrenta o desafio de escalar esse modelo em um mercado cada vez mais competitivo, sem perder de vista a premissa que guiou seus primeiros passos: crescer, sim — mas sem dissociar lucro de impacto.