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Com o modelo de autoprodução, a Bimbo Brasil se torna sócia de uma ilha do parque eólico da Casa dos Ventos (Image Source/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 14h00.
O Grupo Bimbo, líder em panificação, firmou acordo de autoprodução com a Casa dos Ventos, de energia renovável, para garantir que 100% da energia elétrica consumida em quatro de suas fábricas no Brasil seja proveniente de fonte renovável.
O contrato tem validade de 15 anos e utiliza energia do Complexo Eólico Serra do Tigre, localizado entre Rio Grande do Norte e Paraíba, com início de operação comercial previsto ainda para o primeiro trimestre de 2026.
Com o modelo de autoprodução, a Bimbo Brasil se torna sócia minoritária de uma ilha do parque eólico. O empreendimento está em estágio avançado de implantação e, quando estiver em operação, a energia gerada passará a alimentar as redes de energia elétrica das concessionárias participantes do projeto.
Nessas empresas, alimentos que iam para o lixo viram R$ 31 milhões em receita"O acordo foi construído a partir de uma visão estratégica de longo prazo da Bimbo Brasil para acelerar a descarbonização das nossas operações no país. Optamos por um modelo de autoprodução por equiparação, que nos permite ir além da simples compra de energia renovável e assumir um papel mais ativo na transição energética", afirma Mário Escotero, vice-presidente de Gestão de Pessoas, Comunicação, Jurídico, Assuntos Corporativos e Relações Laborais da Bimbo Brasil.
Antes do acordo, a Bimbo Brasil já adotava práticas para tornar sua matriz energética mais eficiente, com iniciativas pontuais de contratação de energia renovável no mercado livre e melhorias contínuas em eficiência operacional. O executivo classifica o movimento atual como "estrutural e transformador".
"É um investimento que fortalece a nossa visão de sustentabilidade de médio e longo prazo, bem como temos a oportunidade de gerar ativação positiva na economia local com a geração de emprego e renda em regiões remotas", diz Escotero.
'Comida de verdade': nova pirâmide alimentar dos EUA reacende debate sobre equilíbrio nutricionalA empresa não divulgou valores de investimento nem metas específicas de redução de emissões. Questionado sobre o impacto ambiental, Escotero afirmou que a participação no projeto "contribui e ajuda o nosso país com a ampliação da matriz energética renovável, assim como na substituição integral da eletricidade de origem não renovável".
A iniciativa contribui para a ambição global do grupo de alcançar emissões líquidas zero até 2050, além de reduzir a exposição a fontes fósseis. "Mais do que um indicador isolado, trata-se de uma mudança estrutural na forma como produzimos alimentos no Brasil contribuindo também para as metas globais da companhia", afirma o executivo.
A Bimbo justifica o investimento em energia limpa pela escala de suas operações. "Produzir alimentos acessíveis para milhões de pessoas exige um compromisso proporcional com o impacto que geramos no planeta e nas comunidades onde atuamos", diz Escotero.
Segundo o executivo, a utilização de energia limpa traz benefícios em múltiplas dimensões: aumenta a previsibilidade de custos e a segurança energética, reduz a pegada de carbono de forma consistente e fortalece a confiança de consumidores, clientes, colaboradores e investidores.
Alimentos devem pressionar inflação em 2026, diz especialista da FGVA transição energética é parte de uma agenda ESG mais ampla da Bimbo no Brasil. A empresa afirma ter avançado na redução do consumo de água e energia por tonelada produzida, no combate ao desperdício de alimentos e na destinação sustentável de resíduos.
As operações já atingem índices próximos de aterro zero, com 100% das embalagens produzidas com materiais que podem ser reciclados pós-consumo. A empresa compensa 100% das embalagens colocadas no mercado em parceria com os programas de reciclagem EuReciclo e Mãos Pro Futuro.
Para a Casa dos Ventos, o acordo representa a entrada em um setor estratégico. "O Grupo Bimbo é um exemplo de como grandes companhias podem liderar a descarbonização de suas cadeias produtivas. Essa parceria reforça a importância da integração entre indústria e setor elétrico para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono", afirma Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos.
O executivo destaca que o Complexo Serra do Tigre "gera emprego, movimenta economias locais e contribui para um futuro mais sustentável para o Brasil", diz.