Parceiro institucional:
Tuju: cardápio muda quatro vezes ao ano, de acordo com as estações das chuvas (Divulgação/Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 15 de abril de 2026 às 17h15.
Última atualização em 15 de abril de 2026 às 17h32.
Pela primeira vez na história, dois restaurantes brasileiros conquistaram três estrelas Michelin e alcançaram o mais alto nível de excelência gastronômica: o Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, e o Tuju, de Ivan Ralston, ambos paulistanos.
Na memorável noite no Copacabana Palace, o Tuju foi além e manteve também a "Estrela Verde", consagração a estabelecimentos que levam a sustentabilidade a sério, ao lado de outros dois brasileiros: Corrutela e A Casa do Porco.
Os três haviam conquistado a distinção ainda em 2024, em uma conquista inédita para o país.
Criada em 2020, a Estrela Verde não avalia apenas o que está no prato e sim[grifar] o que está por trás dele. São levados em conta o impacto ambiental e social, a relação dos chefs com produtores rurais, a existência de cultivos próprios, a criação de animais e questões ligadas à ética e ao bem-estar.
Segundo o guia francês, o reconhecimento tem dois objetivos centrais: reduzir o desperdício de alimentos e incentivar os chefs a serem agentes de mudança e impulsionarem o consumo consciente. Hoje, mais de 500 restaurantes no mundo carregam a honraria.
Mais do que um símbolo, é um convite para toda a cadeia alimentar repensar o que significa comer bem e uma prova de que excelência e responsabilidade podem, sim, caminhar juntas.
Conheça os três restaurantes da lista.O Tuju foi o grande protagonista da noite e carrega outro título que também o ajudou a ganhar a Estrela Verde: é o único restaurante brasileiro com instituto de pesquisa interno.
O Centro de Pesquisa e Criatividade Tuju, criado em 2022 pela pesquisadora gastronômica Katherina Cordás e pelo próprio Ralston, reúne chefs, produtores, acadêmicos, artistas e sociólogos para estudar sazonalidade, território e culinária paulistana.
Desde 2025, o espaço funciona também como escola, com cursos abertos ao público e política de valores conscientes. Quem não tem condições de arcar com o custo, pode escolher o mínimo ou solicitar bolsa integral.
A filosofia do Tuju se traduz também no cardápio. O restaurante não organiza o que irá servir pelas estações do calendário, mas pelos ciclos das chuvas: Umidade, Chuva, Ventania e Seca.
Tuju: cardápio muda quatro vezes ao ano, de acordo com as estações das chuvas (Kato78/Tuju/Divulgação)
Os menus mudam conforme a disponibilidade e sazonalidade dos ingredientes, uma lógica que ajuda a reduzir desperdícios e valoriza produtores locais.
O estabelecimento também acompanha esse compromisso e possui coleta seletiva, compostagem, filtragem do ar pelo teto e aproveitamento da água da chuva para irrigar o jardim, práticas que reduzem consideravelmente sua pegada ambiental.
O menu degustação custa R$ 1.500 mais 15% de taxa de serviço, enquanto as harmonizações variam entre R$ 550 (não alcoólica), R$ 950 (Descobertas) e R$ 2.100 (Clássica).
Localização: Rua Frei Galvão, 135 — Jardim Paulistano, São Paulo
No Corrutela, o chef César Costa transformou o combate ao desperdício em princípio criativo.
Uma composteira converte restos de alimentos em adubo para as hortas do restaurante; uma máquina israelense desidrata resíduos orgânicos, reduzindo seu volume em até 90%.
Cascas de vegetais viram caldos, talos de ervas entram em molhos e marinadas, com foco no reaproveitamento total. Já o menu é planejado considerando a sazonalidade dos ingredientes, e o estoque é controlado para que se compre apenas o necessário. O reconhecimento vai além do Michelin: o Corrutela já levou o prêmio de 50 melhores restaurantes da América Latina.
Localização: R. Medeiros de Albuquerque, 256 - Vila Madalena, São Paulo
Inaugurada em 2015, A Casa do Porco construiu sua história apostando em uma cozinha conceitual brasileira: genuína, inovadora e democrática, onde os suínos são os protagonistas.
Já eleita um dos melhores restaurantes do mundo e da América Latina, a casa ainda não tem estrelas Michelin tradicionais, mas figura no guia na categoria de sustentabilidade por uma razão: controla toda a cadeia alimentar dos seus produtos, do campo ao consumidor, e cria seus próprios porcos de raça brasileira com foco em boas práticas regenerativas.
Jefferson e Janaina Rueda, à frente d´A Casa do Porco (Divulgação/Divulgação)
O resultado são menus sazonais: o de degustação tem até oito etapas e custa R$ 290. Há também uma versão 100% vegetariana, com releituras de clássicos da casa, como o tartar de porco, o sushi de papada e o torresmo de pancetta com goiabada, recriados com nabo, cogumelo e queijo coalho.
Localização: Rua Araújo, 124 — República, São Paulo