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Entre apagões e excesso de energia, baterias chegam à distribuição no Brasil pela primeira vez

Projeto da Matrix no Paraná aplica sistema de armazenamento diretamente na rede e companhia planeja dobrar capacidade do BESS no país até o final de 2026

Sistema de baterias em Coronel Vivida (PR) permite armazenar energia e reforçar a rede nos horários de maior consumo (Divulgação)

Sistema de baterias em Coronel Vivida (PR) permite armazenar energia e reforçar a rede nos horários de maior consumo (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 8 de abril de 2026 às 17h00.

O setor elétrico brasileiro começa a entrar em uma nova fase, marcada pelo uso de sistemas de baterias (BESS) diretamente na rede local que abastece cidades, empresas e consumidores.

Pela primeira vez, uma distribuidora passa a operar um sistema de armazenamento para equilibrar, em tempo real, a oferta e a demanda de energia. 

O projeto, desenvolvido pela Matrix Energia em parceria com a Pacto Energia Distribuição Paraná, foi instalado em Coronel Vivida (PR) e conta com 10 baterias e capacidade de 20 MWh.

Desde fevereiro, o sistema permite armazenar energia em momentos de sobra como em picos de geração solar e devolvê-la à rede nos horários de maior consumo, reduzindo oscilações e evitando investimentos em infraestrutura tradicional.

A iniciativa surge em um momento de transformação do setor rumo à transição energética. Com o avanço da geração distribuída, especialmente solar, surgiu um desafio duplo: excesso de energia em determinados períodos do dia e picos de demanda em outros.

“O Brasil vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que se fala em risco de apagão, também há energia excedente”, afirma Alexandre Gomes, vice-presidente comercial da Matrix Energia, em entrevista à EXAME.

++ Leia mais: A corrida das baterias: empresas apostam em leilão de R$ 10 bi que pode redesenhar o setor elétrico

Nesse contexto, o armazenamento ganha protagonismo como uma solução para dar flexibilidade à rede. “A peça que faltava nesse quebra-cabeça é a capacidade e a bateria vem para resolver isso”, complementa o executivo.

O que muda com as baterias na distribuição

Até agora, projetos de armazenamento no Brasil estavam concentrados em usinas, sistemas de transmissão ou dentro de empresas e fábricas. Em 2025, a ISA ENERGIA instalou o primeiro projeto em larga escala no litoral sul paulista, com foco na transmissão. 

Do outro lado, a WEG está construindo o que promete ser a mais moderna fábrica de sistemas BESS do Brasil para suprir a demanda da indústria. 

A entrada das baterias na distribuição representa um avanço, ao atuar exatamente no ponto onde geração e consumo se encontram.

Na prática, isso permite que a própria distribuidora passe a gerenciar melhor os fluxos de energia ao longo do dia, reduzindo perdas, melhorando a qualidade do fornecimento e ampliando a capacidade da rede sem a necessidade imediata de novas obras.

O sistema instalado no Paraná pode injetar até 10 MW de potência na rede nos momentos de maior demanda, funcionando como um “pulmão energético” local.

Energia na hora certa (e no lugar certo)

Mais do que armazenar energia, o vice-presidente da Matrix diz que o desafio está em operá-la de forma eficiente, algo que exige integração com a rede e inteligência operacional.

“O difícil não é entregar megawatt-hora. É entregar energia no lugar certo, na hora certa e para quem precisa”, afirma Gomes.

Para viabilizar a escala da solução, a Matrix conta com um Centro de Operações Integrado próprio, responsável por monitorar e controlar os sistemas em tempo real. A estrutura permite ajustar o uso das baterias conforme as condições da rede, da geração e do consumo, garantindo maior eficiência e previsibilidade.

Segundo Alexandre, esse tipo de operação ainda é pouco difundido no Brasil e é essencial para evitar custos adicionais e garantir o desempenho dos sistemas.

“Se você não tiver um time dedicado e inteligência operacional, você pode acabar gerando custo para o cliente que ele não esperava”, destaca.

Expansão e disputa de mercado

Com a aposta em armazenamento, a Matrix planeja expandir rapidamente em 2026 e pretende sair dos atuais cerca de 120 MWh em capacidade instalada para aproximadamente 250 MWh.

O avanço do armazenamento também começa a entrar no radar regulatório. O governo federal prepara para junho um leilão de capacidade que pode impulsionar sistemas de baterias e abrir espaço para que a tecnologia ganhe escala no país.

O movimento acompanha o crescimento do mercado brasileiro de baterias, ainda incipiente, mas impulsionado pela expansão das renováveis e pela necessidade de maior estabilidade na rede.

Hoje, a companhia atende 62 clientes em 13 estados com soluções de armazenamento, principalmente em modelos “behind-the-meter”, aqueles instalados diretamente nos consumidores.

A entrada na distribuição amplia o escopo de atuação e posiciona a empresa em uma nova frente do setor.

Para a Matrix, o avanço do armazenamento deve se consolidar como um dos pilares da modernização do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos.

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