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Os ensinamentos da mulher que chegou à diretoria de um grande banco

Denise Pavarina foi diretora executiva do Bradesco e a primeira mulher a presidir uma entidade do mercado financeiro
Denise Pavarina: despersonalização a ajudou a enfrentar a resistência masculina quando se tornou líder | Foto: Leandro Fonseca/EXAME (Exame/Leandro Fonseca)
Denise Pavarina: despersonalização a ajudou a enfrentar a resistência masculina quando se tornou líder | Foto: Leandro Fonseca/EXAME (Exame/Leandro Fonseca)
Por Marília AlmeidaPublicado em 09/01/2022 08:05 | Última atualização em 12/01/2022 19:19Tempo de Leitura: 6 min de leitura

Denise Pavarina foi uma desbravadora do mercado financeiro. Além de ter sido primeira mulher a comandar uma gestora, foi a primeira diretora executiva de um grande banco, o Bradesco (BBDC4). Também foi a primeira mulher à frente de uma associação que reúne gestoras de fundos, bancos, corretoras e administradoras: a Anbima.

Discreta, Pavarina raramente fala sobre sua trajetória profissional. Mas contou um pouco sobre a sua história em palestra durante o evento Women in Finance, promovido pela Fin4She, plataforma de conexão do ecossistema financeiro para mulheres, no fim do ano passado.

Contou que teve homens e mulheres como inspiração. "Muito do que sou devo a homens também. Temos de achar exemplos com características diferentes, que faltam na gente". Contudo aponta ter buscado sempre ser ela mesma. "Fiz análise e entendi que eu não seria alguém melhor mudando. Ninguém consegue sustentar um tipo por muito tempo."

Uma característica que considera ter sido essencial para ascender a cargos de liderança dominados por homens foi seu gosto por desafios. "Bastava dizerem que não era para mim para eu tentar e conseguir fazer. Com muito suor, dor no estômago e sem olhar muito para o lado: apenas para a frente. Mas gostando do que eu fazia. Senão vira uma grande tortura."

Invista no desenvolvimento de sua carreira com propósito e assuma a liderança da sua vida

A executiva escolheu trabalhar no mercado financeiro porque acredita ser um dos poucos setores que podem impactar a sociedade e outros segmentos de forma relevante, direta ou indiretamente. "O mercado não se resume aos estereótipos que criaram sobre os bancos. Existem investidores e financiadores dos mais variados tipos que podem ajudar a concretizar um propósito."

Pavarina começou a carreira estudando balanços financeiros, como analista de investimentos. "Fiquei encantada em como eu poderia ajudar uma empresa a crescer. Gerar empregos é um impacto social. Além disso, podemos exigir que o crescimento de uma empresa seja da forma correta, com governança e respeito a questões  socioambientais."

Seu conselho para outras mulheres é investir em networking dentro e fora da empresa. "Se você não for boa para ser reconhecida especialmente por seus pares e não se mostrar ao mercado de trabalho, ninguém se lembrará de você. A vida está em sua mão, em como se coloca frente a preconceitos e tentativas de desconstrução, que acontecem até hoje."

Conheça mais sobre a trajetória da executiva em entrevista dada à EXAME Invest:

Quais características a senhora considera terem sido mais relevantes para se tornar uma líder?

Ter capacidade de negociação, de trazer pessoas para um projeto. Sempre busquei direcionar as pessoas para um objetivo junto comigo, para o negócio acontecer, e não para que eu me desse bem.

Isso fez diferença: mostrar que todos se darão bem se o trabalho for feito. É um jeito de driblar a resistência que pode haver em ter uma mulher como líder. Ao tirar esse aspecto pessoal, você traz todos para o seu lado, como parceiros.

Há questões de gênero que acredita serem positivas para o gerenciamento de pessoas?

Somos boas em olhar para o outro, ver o que move o outro. Acredito ser uma capacidade feminina ler a situação e  atrair para o projeto. Sempre fiz isso genuinamente na liderança. Nunca tratei como funcionários, mas como parceiros de objetivo. Se eu não implantasse esse tom motivador, eu não iria a lugar algum.

Em vez de dizer que nós precisávamos ter entregado um trabalho, eu dizia para a minha equipe que nós precisávamos ter feito a tarefa para atingirmos o objetivo. É um soft power. Eu dividia a responsabilidade, mas, no fim, ela era minha e eu respondia por ela. Mas, se dava certo, os resultados também eram divididos.

Um dos meus funcionários me marcou muito. Ele disse que quando outro chefe dava bronca porque ele não havia feito o que ele devia fazer ele ficava com raiva dele, enquanto comigo ele ficava com raiva de si mesmo. Esse é um claro resultado dessa estratégia.

O que marcou sua ascensão? Acredita que já houve avanços para outras gerações?

Eu não podia confrontar homens. Na minha geração, o confronto era a chave para me desconstruírem. E a provocação para me desconstruírem era diária. Portanto, aprendi a usar meu soft power.

Não sei dizer se as mulheres ainda precisam dessa estratégia hoje. Mas falo do que vivi e do que, de certa forma, funcionou. Se você coloca a equipe toda no barco, é difícil não irem contigo. Em resumo, é algo como: me empurra que eu te puxo. Eu costumava brincar com os funcionários assim.

O que te fez sair do banco após uma carreira de 33 anos? 

Considero que tive uma experiência maravilhosa em um banco altamente meritocrático. Mesmo se você não é filho de ninguém também tem direito a concorrer a posições importantes mediante o seu esforço e a sua capacidade.

Mas meu ciclo terminou. Sou extremamente grata ao banco e torço para que o negócio dê certo. Mas estou muito feliz agora porque tenho liberdade que escolhi não ter em outro momento por causa de desafios profissionais. E não abro mão dessa flexibilidade, atuando como investidora e conselheira.

Agora em boa parte do tempo faço uma série de coisas por prazer e porque eu quero. A força-tarefa é um exemplo [Pavarina é vice-presidente da TCFD, sigla para Task Force on Climate-Related Financial Disclosures, organização que fomenta a divulgação de riscos climáticos em balanços financeiros]. Sou voluntária nela, assim como no Comitê de Ética da Anbima.

A senhora é mãe? Acredita que a maternidade pode atrapalhar uma carreira executiva?

Eu sou muito intensa em tudo o que faço. E em um determinado período da minha vida eu estava empolgada com o que estava fazendo e fui adiando maternidade. Os bancos não fizeram restrições. Mas, claro, estar disponível em tempo integral me ajudou.

Mas, se eu pudesse dar uma dica, que já dei para minhas amigas, é que dá para ter filhos e também subir na carreira. Admiro quem tem filhos, mas, no meu caso, não senti falta. Mas dá para fazer tudo sim.

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