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Energia eólica cresce 40% e bate recorde enquanto mundo busca saída da crise energética

Setor atinge 165 GW de capacidade em 57 países, mas Brasil desacelera e mira retomada em 2027: "Nossa perspectiva de alta está ligada a data centers e descarbonização", diz presidente da ABEEólica

Brasil permanece entre os cinco maiores mercados eólicos do mundo, mas vive primeiro ponto de inflexão na capacidade instalada (Image Source/Getty Images)

Brasil permanece entre os cinco maiores mercados eólicos do mundo, mas vive primeiro ponto de inflexão na capacidade instalada (Image Source/Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 22 de abril de 2026 às 18h00.

Última atualização em 22 de abril de 2026 às 18h07.

Data centers e a descarbonização da indústria são os vetores que a presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum, aposta para recolocar o Brasil em trajetória de crescimento na energia eólica a partir de 2027.

O prognóstico foi dado em Madri, onde a especialista e também designada enviada especial de energia da COP30 participou do lançamento do Global Wind Report 2026, o relatório anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) publicado em meio a uma crise energética global sem precedentes.

Enquanto a guerra entre EUA, Israel e Irã bloqueou o Estreito de Ormuz por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural mundiais e levou a um "choque de preços" no mercado, a energia eólica protagoniza seu papel como alternativa renovável ao modelo fóssil.

Em 2025, o mundo instalou 165 GW de nova capacidade eólica em 57 países, somando cerca de 28.395 turbinas movidas a vento no total. O resultado é um recorde histórico para o setor, com uma alta de 40% em relação a 2024.

A capacidade global acumulada chegou a 1.299 GW, distribuída por 138 países. O crescimento foi puxado pela Ásia, que respondeu por 80% das novas instalações, liderada por China e Índia.

O Brasil manteve o quinto lugar no ranking mundial, ao lado de China, EUA, Índia e Alemanha. Juntos, os cinco países respondem por 86% das adições globais, com 36 GW de capacidade total instalada.

Brasil freia, mas projeta retomada

Mas o país vive um momento de inflexão. As instalações caíram de 3,3 GW em 2024 para 2,3 GW em 2025, movimento que se insere em uma tendência regional: a América Latina foi a única região do mundo a registrar queda nas adições anuais no ano passado.

"Pela primeira vez, nós estamos vivendo uma redução dos investimentos em energia eólica associada ao que eu chamo de macro crise: a economia não cresce e portanto a demanda de energia por novos projetos também não", destaca Elbia.

Os anos de 2025 e 2026 devem seguir com instalações menores, reflexo de um ciclo de baixa gestado entre 2022 e 2024. A retomada está projetada para 2027, impulsionada pela demanda crescente de data centers, tecnologia que exige grandes volumes de consumo de energia e o movimento de descarbonização de setores industriais.

O mapa da energia eólica global

No cenário global, a China seguiu dominante, respondendo por 120,5 GW das novas instalações, ou 73% do total onshore (instalados em terra firme).

Já a Índia quase dobrou suas instalações, de 3,4 GW para 6,3 GW. Nos EUA, o setor cresceu 71% após quatro anos consecutivos de queda, mesmo sob a gestão de Trump e suas políticas contrárias às renováveis.

A Europa passou a marca de 300 GW de capacidade acumulada, mas ainda abaixo do ritmo necessário para cumprir as metas climáticas de 2030. No segmento offshore (instalados no mar), o mundo se aproxima do marco de 100 GW: foram 9,3 GW instalados em 2025, totalizando 92,3 GW acumulados.

O relatório alerta que o mundo ainda instala apenas 85% do necessário para triplicar as renováveis até 2030.

"Precisamos trabalhar mais para aumentar essa instalação e fazer a nossa contribuição para zerar as emissões e batermos o netzero", ressalta a presidente da ABEEólica.

Para a próxima década, a projeção é de 969 GW de nova capacidade entre 2026 e 2030, uma média de 194 GW ao ano. A expectativa é de maior diversificação geográfica: mais da metade das novas instalações deve vir de mercados fora da China, com destaque para Sudeste Asiático, Ásia Central e África.

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