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Empresa americana estreia no Brasil com tecnologia que acelera em até 95% a resposta a desastres

Juvare, líder em gestão de emergências, chega ao país com ferramenta de IA que já coordenou resposta a furacões nos EUA e no Canadá

As enchentes históricas no Rio Grande do Sul foram um retrato dramático da crise climática  (Gustavo Ghisleni/AFP)

As enchentes históricas no Rio Grande do Sul foram um retrato dramático da crise climática (Gustavo Ghisleni/AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 2 de maio de 2026 às 15h00.

Há exatos dois anos atrás, o Rio Grande do Sul vivia sua pior tragédia climática e a população sentia na pele os efeitos mais severos das mudanças do clima. As enchentes reforçaram a necessidade de adaptação das cidades brasileiras, frente aos eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.

O que aconteceu no Sul não é caso isolado e assombra todas regiões: uma análise da Codex revelou que o número de desastres climáticos saltou de 1.635 entre 2015 e 2019 para cerca de 6.100 entre 2020 e 2024, um crescimento de 273% em menos de uma década.

E se o Brasil pudesse dar uma resposta até 95% mais rápida e eficiente diante das emergências? Essa é a aposta da empresa americana Juvare, que acaba de anunciar a primeira operação no país em parceria com a consultoria brasileira Codex.

A tecnologia baseada em IA é uma plataforma de gestão digital adotada nos 50 estados americanos e em mais de 25 países para coordenar respostas a desastres em tempo real.

Segundo a empresa, a solução responde em cerca de 30 segundos diante da crise que antes exigia mobilizar cerca de oito profissionais e horas de empenho. No condado de Harnett, na Carolina do Norte (EUA), a adoção reduziu em 85% o tempo de trabalho das equipes.

Como funciona a tecnologia

Na prática, a plataforma funciona como um centro de comando virtual. Durante uma crise, reúne em uma única tela dados sobre ocorrências em andamento, recursos disponíveis, equipes mobilizadas e áreas afetadas, com atualizações em tempo real enviadas diretamente por equipes em campo.

A plataforma integra mapas, rotas logísticas, inventários e registros operacionais, criando uma visão compartilhada entre Defesa Civil, forças de segurança, hospitais e autoridades locais.

Antes dos desastres, o sistema organiza planos de contingência e protocolos de resposta. Quando acontecem, facilita a documentação de danos e a geração de relatórios para solicitação de recursos.

Outro exemplo de uso vem do Canadá. Durante o Furacão Fiona em 2022, o Centro Provincial de Coordenação da costa leste chegou a receber mais de 1.000 comunicações por dia, vindas de mais de 100 pontos de contato diferentes.

Com a tecnologia, parte desse fluxo passou a ser automatizada, com parceiros atualizando informações diretamente na ferramenta e reduzindo o trabalho manual das equipes.

Modelo replicável ao contexto brasileiro 

No Brasil, as empresas destacam que há um desafio extra de coordenação. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a FEMA centraliza diretrizes em nível nacional, o modelo nacional distribui responsabilidades entre estados e municípios com capacidades técnicas e orçamentos muito distintos entre si.

"Em uma emergência, a informação precisa circular rapidamente entre diferentes órgãos, e muitas vezes isso ainda acontece de forma fragmentada", diz Venicios Santos, diretor de Negócios da Codex.

Para o executivo, ao organizar as informações e as deixar disponíveis em tempo real, gestores conseguem tomar decisões mais rápidas e coordenar melhor as equipes de resposta.

"Em situações de desastre, essa agilidade pode fazer diferença direta no atendimento às populações afetadas", acrescenta.

A implementação será conduzida pela Codex, responsável por adaptar a plataforma ao contexto institucional e jurídico brasileiro. Isso inclui tradução do sistema, ajustes nos termos de uso e adequação às estruturas administrativas do país.

Os usuários também terão acesso ao JAI (Juvare AI), assistente de inteligência artificial capaz de sintetizar informações operacionais, identificar padrões e gerar análises rápidas para apoio à decisão em cenários de crise.

A estratégia inicial da parceria mira governos estaduais, que exercem papel central na coordenação regional de respostas a emergências climáticas. A expectativa é que os primeiros projetos sirvam como modelos replicáveis para outras regiões do país nos próximos anos.

Segundo os especialistas, a tecnologia não substitui a adaptação climática, mas pode determinar a diferença entre uma resposta coordenada e o caos. Em um país que registra mais de 1.200 emergências por ano, essa diferença se mede em vidas.

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