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Embraer promete zerar emissões até 2040 — e caminho será tecnologia

Empresa anunciou pela primeira vez as metas relacionadas ao ESG nesta sexta-feira; entre os compromissos está o uso de combustíveis limpos e aeronaves elétricas em escala
Embraer: compromissos ESG para o futuro incluem hidrogênio, eletrificação e energia renovável (Roosevelt Cassio/Reuters)
Embraer: compromissos ESG para o futuro incluem hidrogênio, eletrificação e energia renovável (Roosevelt Cassio/Reuters)
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Maria Clara DiasPublicado em 13/08/2021 às 12:26.

A Embraer quer assumir a dianteira quando o assunto é aplicar, na prática, o ESG (sigla para ambiental e de governança) na aviação. A terceira maior fabricante de aviões do mundo anunciou, nesta sexta-feira, 13, uma meta ambiciosa ligada à sustentabilidade: zerar as emissões de carbono até 2040. Essa é a primeira vez que a empresa anuncia publicamente seus compromissos ligados ao net zero.

A nova promessa vem em meio a um momento de pressão para as companhias do setor. Há dois meses, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estabeleceu o ano de 2050 como o prazo final para que o setor seja neutro em carbono. De outro lado, o impacto das mudanças climáticas também serve de incentivo para que a Embraer, assim como outras empresas do setor, apertem o passo em busca de mitigar o impacto ambiental de suas operações.

No caso da brasileira, o caminho para cumprir esse prazo — e até antecipá-lo em uma década —  vai se dar na tecnologia, especialmente no desenvolvimento de biocombustíveis. A empresa se comprometeu a ter 25% de sua frota movida a combustíveis sustentáveis até 2040. “Esse será o principal caminho para que alcancemos a neutralidade e assim vamos contribuir para uma aviação, de fato, net zero”, disse Luís Carlos Affonso, vice-presidente sênior de engenharia, tecnologia e estratégia da Embraer, durante evento nesta sexta-feira, 13.

Em seu inventário de emissões, a empresa identificou que mais de 60% das emissões dos escopos 1 e 2 estão relacionadas ao uso de combustíveis fósseis nas aeronaves, seja em testes ou em voos comerciais. Diante disso, uma das metas estabelecidas pela fabricante será ampliar o uso de combustíveis limpos já neste ano.

Tido como um caminho promissor para o futuro da aviação, o hidrogênio verde também faz parte dos planos da empresa. Segundo Affonso, a Embraer está estudando como incluir o hidrogênio em suas frotas e já considera um primeiro voo teste em 2025.

O combo de tecnologias adotadas com o intuito de pavimentar um caminho mais verde na empresa também inclui a eletrificação. Os eVTOL, sigla em inglês para Veículo Elétrico de Decolagem e Pouso Vertical, serão uma alternativa para a aviação urbana e devem ser usados em escala pela empresa já em 2026. “Por tudo que temos desenvolvido, acreditamos que estamos próximos de ser um dos poucos a serem bem sucedidos neste mercado”, diz Affonso.

Durante o evento, também foi exibido um vídeo do primeiro teste de voo da primeira aeronave elétrica da companhia, desenvolvida em parceria com a EDP. E, a exemplo do que faz com a empresa de energia, a Embraer também pretende firmar novas parcerias com fabricantes do setor para acelerar a adesão dessa e de outras tecnologias.

A empresa também aproveitou a oportunidade para apresentar metas relacionadas ao lado social. De maneira geral, o compromisso é aumentar a diversidade a partir do recrutamento e retenção de mais talentos em todos os níveis da empresa. Para isso, estão incluídas ações com foco em grupos minorizados e também o treinamento de 100% da liderança sobre o tema diversidade ainda em 2021

A empresa também destacou a criação de um programa de engenharia de aviação que já formou 1.600 alunos, destes 25% mulheres “Queremos criar uma ponte e preparar talentos para estarem qualificados para as nossas necessidades e para melhores oportunidades na carreira”, disse  Carlos Alberto Griner, vice-presidente sênior de ESG e comunicação da Embraer.