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Em meio à corrida dos cartões, Swile larga na frente em sustentabilidade

Com conquista do Selo B, empresa de benefícios corporativos alia impacto social com um programa pioneiro de reciclagem: "ESG virou perspectiva de risco para o negócio", diz líder no Brasil

Swile chega a 1 milhão de usuários no Brasil operando no arranjo aberto desde sua chegada no país em 2021 (Divulgação)

Swile chega a 1 milhão de usuários no Brasil operando no arranjo aberto desde sua chegada no país em 2021 (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 13 de abril de 2026 às 06h00.

O mercado de benefícios corporativos no Brasil vive um momento de virada. As novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) obrigam as operadoras a abrir suas redes e agora os cartões devem ser aceitos em qualquer estabelecimento de alimentação, independentemente da bandeira.

Enquanto algumas empresas correm para se adaptar à regulação, a Swile já operava nesse modelo desde a chegada no Brasil em 2021. E no mesmo marco em que a companhia francesa alcançou 1 milhão de usuários no país, também anunciou a conquista do Selo B, concedida a negócios com alto padrão de impacto social, ambiental e de governança. 

O próprio nome da empresa carrega essa filosofia: Swile é uma fusão de "Smile" (sorriso) com "W", de "Work" (trabalho).

A jornada até a certificação levou quatro anos. Gabriela Crego, líder de ESG da Swile Brasil, contou à EXAME que a maior mudança foi cultural.

"Foram mais de 70 swilers globalmente engajados que passam a ter uma lente mais responsável para tomar decisões no dia a dia", destaca.

Para ela, a conquista é fruto de um comprometimento coletivo de todas as áreas.

O resultado? Uma transformação que foi além dos processos, segundo a executiva. "Precisávamos formalizar nossas ações e deixar um legado para as próximas gestões", diz.

A empresa formalizou políticas internas, realizou seu primeiro censo de diversidade e incorporou o compromisso com todos os stakeholders no próprio estatuto.

O time jurídico esteve envolvido desde o primeiro dia, e treinamentos de ESG passaram a integrar a entrada de novos colaboradores. Não por acaso, o pilar social foi o que mais contribuiu para a nota final da certificação. 

Quando o ESG vira "cláusula de contrato"

A pressão por negócios ESG também vem da cadeia. De 2024 para 2025, o volume de demandas recebidas pela Swile neste quesito cresceu 110% e o tema até virou "cláusula contratual". A líder de sustentabilidade exemplifica: um cliente chegou a exigir até 80% dos fornecedores com alguma certificação.

Na França, o volume é tão alto que a empresa contratou uma pessoa dedicada exclusivamente para responder a essas exigências.

"Acabou virando uma perspectiva de risco dos negócios", avalia Gabriela.

Além do arranjo aberto, o PAT estabelece um teto de 3,6% nas taxas cobradas dos estabelecimentos e derruba uma prática que chegava a 12% entre as operadoras tradicionais.

Já a Swile também afirma nunca ter cobrado taxas neste patamar. "Passamos a incluir pessoas que não participavam da economia produtiva. O dono da pequena padaria que antes não aceitava agora vai ser incluído, cobrando uma taxa mais justa para todo mundo", reforça Gabriela, ao explicar a relação das medidas com a sustentabilidade.

O cartão que não vai para o lixo

Se a transformação cultural foi o motor interno da certificação, o programa de reciclagem de cartões é a face mais visível para o mercado e talvez a mais inédita. Até hoje, não existe iniciativa estruturada similar no setor de benefícios corporativos no Brasil.

A iniciativa nasceu de uma constatação pouco discutida: cartões de benefício são feitos de PVC combinado com chip metálico, um material composto que contamina a cadeia de reciclagem convencional se descartado no lixo reciclável comum, e acaba inevitavelmente no aterro sanitário.

A solução foi uma parceria com a Papa Cartão, empresa especializada na reciclagem desse tipo de material. O processo é gerenciado de ponta a ponta pela Swile: empresas clientes solicitam a coleta dos cartões antigos, um parceiro logístico realiza a retirada e os encaminha para o destino correto, onde PVC e metal são separados.

O plástico é triturado e reintroduzido na cadeia produtiva, transformado em novos produtos como cadernos e crachás reutilizáveis para eventos.

O programa pioneiro saiu de um piloto com 1.300 cartões reciclados e conta hoje com cerca de 6.000 cartões em processo de reciclagem. 

"Quando as grandes empresas demandam certificações dos fornecedores, isso gera uma transformação muito positiva. Queremos inspirar e engajar aquelas que não começaram essa jornada", conclui Gabriela.

Com o Selo B conquistado, o foco agora se divide entre escalar o programa de reciclagem e preparar a recertificação, que passa a exigir critérios mais rígidos desde o início de 2026.

Globalmente, a Swile avança na aprovação das metas baseadas em ciência pelo Science Based Targets initiative (SBTi), que deve pautar a estratégia de descarbonização nos próximos anos.

++ Leia mais: Nova era, novo CEO, novas metas: os planos da Swile no Brasil para este ano

A corrida continua e a empresa dá a largada em uma estrutura que vai além do produto: uma cultura, políticas formalizadas e um ciclo de responsabilidade que começa na emissão do cartão e vai até o seu descarte.

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