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Economia circular: Danone busca reduzir embalagens de origem fóssil pela metade

Nesta terça-feira, 2, a companhia lança o Danone Circula, que visa promover a transição para um sistema de embalagem circular; companhia também detalha planos de descarbonização e agricultura regenerativa

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Fábrica da Danone em Poços de Caldas (Danone/Divulgação)

Fábrica da Danone em Poços de Caldas (Danone/Divulgação)

Nesta terça-feira, 2, a Danone lança um programa para reduzir pela metade o uso de embalagens com materiais de origem fóssil, como o plástico. A iniciativa faz parte da Jornada de Impacto da fabricante de alimentos, lançada há cerca de um ano globalmente. "A Jornada de Impacto Danone é fundamentada em nosso crescimento como B Corp [companhias que fazem parte do Sistema B, que tem como princípio um sistema econômico mais inclusivo, equitativo e regenerativo] incorporando impacto em nossa estrutura empresarial, práticas de gestão e indicadores de desempenho", diz Mário Rezende, diretor de operações e sustentabilidade da Danone.

O executivo lembrou ainda do Projeto Duplo, do início da década de 1970, quando a companhia assumiu que era preciso cuidar da saúde das pessoas e do planeta de forma integrada. "Ali já entendemos que, como negócio, precisamos promover tanto o desempenho econômico como o progresso social", diz. 

Economia circular

O Danone Circula, que tem como objetivo promover a transição para um sistema de embalagem circular e de baixo carbono a partir das seguintes metas:

  • Oferecer embalagens 100% reutilizáveis, recicláveis e compostáveis até 2030
  • Reduzir pela metade o uso de embalagens virgens de origem fóssil até 2040, com redução de 30% até 2030, acelerando a reutilização e materiais reciclados
  • Liderar o desenvolvimento de sistemas de coleta eficazes para recuperar ao máximo plásticos utilizados até 2040

Para isto, a companhia está reformulando a atuação em economia circular a partir do design de embalagens, a recuperação de materiais recicláveis e a doação de alimentos. Um destaque é o lançamento, feito em fevereiro, do iogurte  morango 800 gramas em garrafa pet transparente. "Este é um produto bastante representativo para o negócio e que passa a ser vendido num material que tem mais valor para a cooperativa e é 100% reciclável", explica Scheilla Montanari, gerente de sustentabilidade da Danone no Brasil.

Em poucos meses de estudo e desenvolvimento, a companhia conseguiu fazer a transição para o uso de pet transparente neste produto. A meta agora é ter 100% de garrafas recicláveis -- atualmente são 75%. Outra prática relacionada é a venda do alimento em embalagem mais leve. "Reduzimos em 27% a quantidade de plástico nas embalagens desde 2021. Isto é parte do resultado da nossa meta de reduzir o uso de materiais de origem fóssil, ou seja, plástico virgem, em 50% até 2040".

Relação com cooperativas

Para conseguir avanço, a Danone tem atuado com as cooperativas e catadores de recicláveis, de modo a entender as necessidades deles ao longo do processo. Com a startup Yattó, de soluções de reciclagens para materiais complexos, a companhia desenvolveu, no ano passado, o projeto Recicla PS, focado na reciclagem das bandejas de iogurtes, que tem baixo valor no mercado. O piloto foi executado em 13 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, com cerca de 30 cooperativas de catadores e 500 cooperados.

Na fase piloto foram recuperadas mais de 25 toneladas de PS, o equivalente a 8,3 milhões de bandejas de Danoninho, gerando uma renda de 30 mil reais para os catadores, e menos 45 metros cúbicos de resíduos que deixaram de ser destinados a aterros sanitários.

"O desafio nesse caso é gerar valor para a venda do PS para que ele não fique parado na cooperativa ou sem o interesse dos catadores. Para isto, além da conscientização, promovemos um incentivo financeiro ao oferecer valor superior do material de R$ 0,5 a R$ 1,2/kg. Com isto, esperamos que o material passe a ser mais valorizado".

Descarbonização e agricultura regenerativa

Na frente de mudanças climáticas o foco da Danone está na descarbonização, a partir de metas como ter 30% das matérias-primas provenientes da agricultura regenerativa até o próximo ano; reduzir 30% das emissões de metano do leite fresco até 2030 e melhorar em 30% a eficiência energética até 2025.

Para a agricultura regenerativa, por meio do chamado Projeto Flora, de 2019, a Danone investe 1 milhão de reais ao ano em ações que apoiam e capacitam pequenos a grandes produtores leiteiros, viabilizado a aplicação de novas técnicas com a intenção de disponibilizar as ferramentas necessárias para promover uma produção de leite mais sustentável. 

"Temos um time de especialistas que auxiliam os produtores no entendimento de como preservar o solo a partir de técnicas de plantio e cobertura, por exemplo, assim como aproveitar melhor a água", diz Taisa Costa, gerente de sustentabilidade da Danone no Brasil. De acordo com ela, nas primeiras etapas, foram observados o aumento de produtividade, margem líquida e rentabilidade por hectare.

Para o bem-estar animal, em novembro, a Danone lançou o programa “Fazenda Tudo de Bem”. Com um investimento de 3 milhões de reais, a primeira fase conta com um diagnóstico para garantir as melhorias necessárias. Por meio de treinamento técnico e desenvolvimento de materiais, a Danone busca melhores resultados no manejo e instalação dos animais em todo o ciclo de vida.

Uma terceira frente é o olhar social em busca de melhora na renda do produtor. "Quando ele percebe melhora na produtividade, é possível ter mais ganho e até influenciar na gestão da fazenda por meio da melhoria de processos e do interesse dos jovens na continuidade do trabalho familiar ao invés do exôdo", diz.

"Nossoo objetivo é ter, já neste ano, produtos que sejam baixo em emissões de carbono da produção do leite e embalagem até o transporte para as prateleiras dos supermercados", diz Taísa.

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