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Contratos em segundos? Empresa tech apostou no ESG para liderar o financiamento de veículos

Com a digitalização do processo, a sustentabilidade virou diferencial competitivo neste mercado: “isso significa menos tempo, custo e emissões”, diz diretor da Tecnobank à EXAME

Em 2025, 7,2 milhões de veículos foram financiados no Brasil, com registro digital feito em segundos (Getty Images)

Em 2025, 7,2 milhões de veículos foram financiados no Brasil, com registro digital feito em segundos (Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 3 de abril de 2026 às 14h30.

Até poucos anos atrás, o registro de um financiamento de veículo no Brasil podia levar até 40 dias. Um processo burocrático baseado em muito papel e deslocamentos até o cartório.

A digitalização desse sistema reduziu esse prazo para segundos e abriu espaço para um novo mercado de registradoras digitais, como a Tecnobank, que hoje opera na infraestrutura do crédito automotivo.

Fundada em 2007 e com presença efetiva nos estados a partir de 2014, a empresa registra contratos de financiamento de veículos e atua como a "infraestrutura invisível" que conecta bancos, consumidores e órgãos de trânsito estaduais. E é ela que, agora, dá um passo a mais: apresenta o primeiro relatório ESG estruturado do setor.

"Estamos falando de um contrato de 40 a 50 páginas que antes era impresso e todos os deslocamentos envolvidos até o cartório: isso é tempo, custo e emissões",  destacou em entrevista à EXAME,  Jefferson Piani, CFO e diretor de Pessoas e Cultura da Tecnobank e também líder do comitê de sustentabilidade criado em 2025.

O impacto vai além da redução da pegada de carbono. A digitalização do processo levou a uma maior eficiência e economia financeira, posicionando a agenda como uma estratégia central do negócio. 

O relatório de sustentabilidade reúne números que a empresa acumulou ao longo de sua jornada de sustentabilidade. São 88 toneladas de CO₂ neutralizadas em 2025, com compensação via projeto na Amazônia. Uma redução de 30% no consumo de energia e 50% no uso de plástico, além de uma queda de 65% no consumo de insumos.

No pilar social, foram R$ 2,1 milhões investidos em projetos nas áreas de educação, esporte e cultura nos últimos cinco anos, todos via leis de incentivo fiscal.

"A gente sempre olhou para o meio ambiente, pessoas e governança e isso foi natural e cultural dentro do negócio", destaca Jefferson. "O que fizemos agora de forma pioneira foi organizar, estruturar e condensar nossas ações ao longo dos anos", complementa.

Hoje, o mercado de registradoras de contratos conta com mais de 40 players credenciados, mas o executivo explica que raramente o preço é o diferencial, já que em muitos estados ele é tabelado pelos próprios DETRANs. No entanto, o que diferencia uma da outra, é exatamente os critérios que o ESG ajuda a certificar: segurança da informação, privacidade de dados, compliance, governança.

"O banco tem como elo fraco seus fornecedores", explica o diretor. "A gente tem que ser o forte para sermos referência neste mercado."

Para ser uma alternativa mais atrativa aos bancos, a empresa foi a primeira a conquistar certificações como a ISO 27001 e 27701 (segurança da informação e privacidade de dados) e a ISOs 37001 e 37301 (compliance e prevenção à corrupção).

Atualmente, a Tecnobank detém entre 41% e 45% do mercado nacional de registro de contratos de financiamento de veículos e está presente em 21 estados brasileiros, cinco deles incorporados nos últimos 12 meses.

O setor como um todo cresceu: em 2025, 7,2 milhões de veículos foram financiados no Brasil, um recorde histórico. Ainda assim, apenas cerca de 30% do total de veículos vendidos (incluindo novos e usados) são financiados, número que contrasta com os 85% a 90% de mercados mais maduros, como os Estados Unidos.

Segundo o executivo, é a sinalização de que há a oportunidade de expansão. 

"Toda essa nossa estratégia como diferencial competitivo é a gente se consolidar e liderar o mercado", diz. "Queremos continuar sendo pioneiros e protagonistas. E também inspirar as demais empresas registradoras para buscarem suas metas", acrescenta.

Cristiano Caporici, diretor de Comunicação & Marketing da Tecnobank, complementou à EXAME que a sustentabilidade sempre fez parte do "core" do negócio. “Se todas as empresas do ecossistema fizessem o mesmo, o impacto positivo seria muito maior".

Internamente, os números também chamam atenção. A empresa tem índice de rotatividade de cerca de 2% ao ano, bem abaixo dos 9% da média de empresas com certificação Great Place to Work do mesmo porte e 93% de satisfação interna.

Além disso, os cargos de liderança são 50% compostos pela presença feminina, em um setor majoritariamente de homens. A atual CEO, Renata Herani, é a segunda mulher a comandar a empresa.

“O lançamento do relatório marca um ponto de partida para medir evolução: seja em emissões, investimentos ou impacto social", conclui Cristiano. Agora, o desafio deixa de ser provar eficiência e passa a ser definir o padrão de um mercado que ainda está em construção.

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