Coalizão faz plano de como deve ser a economia circular na América Latina

Documento lançado nesta quinta-feira, 24, visa alinhar governos, empresas e sociedade civil para economia circular, sustentável e de baixo carbono
 (Gerasimov174/Getty Images)
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Marina Filippe

Publicado em 24/02/2022 às 11:00.

Última atualização em 25/02/2022 às 12:06.

A Coalizão de Economia Circular da América Latina e do Caribe acaba de lançar o documento Economia circular na América Latina e no Caribe: uma visão compartilhada, que apresenta uma visão de como deve ser uma economia circular na região e tem a intenção de criar alinhamento e cooperação entre os países e governos, bem como orientar projetos futuros.

No processo de construção dessa visão, dezenas de funcionários do governo da região, bem como representantes de instituições internacionais, empresas e do meio acadêmico foram consultados para projetar coletivamente o futuro da região com base em uma economia circular funcionando em escala.

"Ter um entendimento comum do que é economia circular e como deve ser uma economia circular na América Latina e no Caribe é essencial para que empresas e governos realizem essa transição. Esta visão nos ajudará a cooperar, aproveitar as oportunidades e a impulsionar uma nova onda de desenvolvimento com base em um modelo de economia circular, que beneficia a sociedade, as empresas e o meio ambiente", diz Luisa Santiago, líder da Fundação Ellen MacArthur para América Latina.

Segundo o documento, a América Latina e o Caribe devem ter uma economia circular desenvolvida pela e para a região. Uma economia circular que seja adaptada às suas características e desafios para promover uma recuperação resiliente após a pandemia de Covid-19. A próxima era de desenvolvimento deve se afastar dos modelos econômicos lineares e extrativistas que causaram degradação ambiental maciça, focar em ser inclusivo para seu povo e aproveitar as características e culturas únicas da região.

"A economia circular pode nos ajudar a reduzir as emissões de carbono e o impacto nos recursos naturais, bem como gerar empregos qualificados. Vemos um grande potencial para a região implementar a economia circular se trabalharmos juntos", diz  Rolando Castro-Córdoba, vice-ministro da Energia e Qualidade Ambiental da Costa Rica.

Economia circular

Alguns números da região mostram os problemas e também as oportunidades. Na América Latina e no Caribe, 127 milhões de toneladas de alimentos (mais de um terço do que é produzido) são perdidos e desperdiçados todos os anos, enquanto cerca de 47 milhões de pessoas sofrem de fome na região.

Quando se olha para a biodiversidade da América Latina e do Caribe, há 40% da biodiversidade da Terra e 60% da vida terrestre global. No entanto, observou-se um declínio de 94% dessa biodiversidade desde 1975, que é maior do que em qualquer outro do mundo. A região também possui 9 das 24 frentes globais de desmatamento, que são impulsionadas principalmente pela agricultura, pecuária, mineração, infraestrutura de transporte e queimadas.

Ainda segundo o documento divulgado pela Coalizão, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicou que, junto à transição energética na região, a qual deve gerar mais de um milhão de empregos até 2030, a economia circular levaria a um 4.8 milhões de oportunidades trabalho na América Latina e no Caribe.

Para o plástico, por exemplo, uma sugestão é que sejam ppromovidas soluções no início da cadeia que evitam desperdícios,
ajudando as empresas a capturar oportunidades não exploradas em novos modelos de entrega e aumentando o acesso e a conveniência para os consumidores, assim como programas ambiciosos na cadeia de reciclagem.

A economia circular baseia-se em três princípios orientados pelo design: eliminar resíduos e poluição, circular produtos e materiais em grande escala e regenerar a natureza. Essa estrutura apresenta uma maneira de proporcionar prosperidade a longo prazo, ao mesmo tempo em que aborda alguns dos maiores desafios enfrentados por nossa sociedade, como mudanças climáticas e perda de biodiversidade. É, portanto, uma oportunidade para a região se posicionar como possível líder na transição global para uma economia de baixo carbono e alinhada aos ODS.

A Coalizão reconhece que é impossível para qualquer ator efetuar uma transição por conta própria e todos os atores têm um papel a desempenhar: de empresas de todos os tamanhos a governos e formuladores de políticas, cidadãos, clientes e instituições financeiras. Com a ajuda dessa visão, eles poderão entender seu papel, trabalhar de forma colaborativa além-fronteiras e buscar os mesmos resultados.