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Juiz de Fora, maior município da Zona da Mata e polo regional, foi atingida por volumes recordes de precipitação desde a noite de 23 de fevereiro (Ivan PISARENKO/AFP/Getty Images)
Publicado em 14 de março de 2026 às 08h00.
As tempestades que devastaram municípios da Zona da Mata mineira entre 23 de fevereiro e 2 de março geraram cerca de R$ 38,37 milhões em indenizações de seguros automotivos, segundo levantamento preliminar da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
Os números, ainda parciais, traduziram em cifras o rastro de destruição deixado pelo que já é considerado o pior desastre registrado na região de Juiz de Fora em quatro décadas.
O mapeamento consolidou dados de 14 seguradoras — fatia equivalente a aproximadamente 84% do mercado de seguro automotivo — e registrou 679 sinistros com automóveis e 30 com motocicletas, além de 902 acionamentos de assistência emergencial, como guincho e apoio aos segurados.
Ubá concentrou o maior volume de indenizações, com cerca de R$ 22,2 milhões, seguida por Juiz de Fora (R$ 13,2 milhões), outros municípios da região (R$ 1,65 milhão) e Matias Barbosa (R$ 1,25 milhão).
Jaime Soares, presidente da Comissão de Automóvel da FenSeg, afirmou que a prioridade do setor foi garantir agilidade no atendimento. A orientação repassada às seguradoras e corretores foi mobilizar rapidamente as equipes de assistência e regular os sinistros com brevidade, reduzindo o prazo para o pagamento das indenizações.
Os dados do setor segurador, no entanto, são apenas uma camada de um desastre muito mais amplo. Com mais de 70 mortos e uma região que permaneceu em alerta para novos temporais ao longo do fim de semana, o episódio provocou reações contundentes da comunidade científica e de organizações especializadas em clima.
"Não é tragédia, é omissão de planejamento", declarou o Observatório do Clima após as chuvas históricas em Minas Gerais. A frase resume o que documentos técnicos, evidências científicas e décadas de decisões orçamentárias revelam sobre a vulnerabilidade das cidades brasileiras diante de eventos climáticos extremos.
Juiz de Fora, maior município da Zona da Mata e polo regional, foi atingida por volumes recordes de precipitação desde a noite de 23 de fevereiro. Os impactos escancararam fragilidades históricas na adaptação climática urbana — lacunas que o setor de seguros, os governos e a sociedade civil já não podem ignorar.
O desastre não ocorreu de forma isolada. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso vermelho de "grande perigo" para acumulado de chuvas em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
A previsão era de mais de 100 milímetros por dia e alto risco de alagamentos e deslizamentos. O cenário reforçou o caráter sistêmico da crise climática em curso no país.
Diante desse contexto, cresce a importância de ferramentas que permitam dimensionar os impactos econômicos dos desastres com precisão.
A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) desenvolveu o Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil, metodologia que cruza dados oficiais do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) — base utilizada pelas Defesas Civis — com referências internacionais como a Emergency Events Database (EM-DAT), mantida por centro europeu de pesquisa reconhecido mundialmente.
A ferramenta mapeia ocorrências relevantes, estima perdas por setor — agropecuária, indústria, infraestrutura e setor público — e constrói uma base técnica independente das limitações operacionais locais.