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Bióloga brasileira vence Whitley Award, o ‘Oscar verde’, por proteção de onças

Yara Barros, de 59 anos, recebeu reconhecimento pelo trabalho de preservação das onças-pintadas e conscientização das populações ao redor no Paraná; conheça seu projeto

Yara também implementou programas de geração de renda alternativa para as comunidades do entorno, como a colaboração com artesãs (Kim Schandorff/Getty Images)

Yara também implementou programas de geração de renda alternativa para as comunidades do entorno, como a colaboração com artesãs (Kim Schandorff/Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 4 de maio de 2025 às 10h00.

A bióloga Yara Barros, 59, foi recentemente agraciada com o Whitley Award for Nature, conhecido como o "Oscar Verde", em reconhecimento ao seu trabalho na preservação das onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.

Com mais de 30 anos de experiência em conservação, Yara começou sua carreira com a ararinha-azul, espécie de aves criticamente ameaçada de extinção. Em 2018, ao ser convidada para coordenar um projeto de pesquisa sobre as onças-pintadas no parque, a bióloga se apaixonou pela espécie e encontrou uma nova paixão na sua trajetória profissional.

Foi ao conhecer a onça "Croissant" que se dedicou integralmente à conservação desses felinos. Desde então, à frente do projeto Onças do Iguaçu, ela tem liderado esforços para proteger as onças-pintadas, que desempenham um papel fundamental no ecossistema local.

O prêmio Whitley Award, que inclui um valor de 50 mil libras (cerca de R$ 370 mil), será utilizado para fortalecer as iniciativas de preservação e pesquisa das onças, continuando o trabalho desenvolvido por Yara. O projeto Onças do Iguaçu tem como objetivo proteger esses felinos, além de engajar as comunidades locais na preservação da biodiversidade do parque.

Conscientização e engajamento comunitário

O trabalho da pesquisadora vai além da proteção dos animais, com foco também na conscientização das comunidades ao redor do parque. Ela destaca que o medo da onça é uma das maiores barreiras para a convivência pacífica entre os felinos e as populações locais.

O projeto Onças do Iguaçu busca transformar esse medo em compreensão e respeito, mostrando à comunidade a importância da onça para o equilíbrio ecológico.

Além das ações de monitoramento, como o uso de colares com GPS para estudar a movimentação das onças, o projeto também realiza atividades educativas nas comunidades vizinhas. A bióloga enfatiza a importância de trabalhar diretamente com a população local para promover a coexistência harmoniosa entre as onças e os moradores.

Iniciativas de convivência e impacto na comunidade

Yara também implementou programas de geração de renda alternativa para as comunidades do entorno, como a colaboração com artesãs, uma forma de empoderar mulheres da região e integrá-las ao projeto de preservação. Além disso, a bióloga e sua equipe realizam visitas frequentes a propriedades rurais, ajudando a prevenir conflitos entre as onças e a atividade agrícola.

Barros observa que, ao longo dos anos, a percepção das onças pelos moradores tem mudado. O projeto tem contribuído para reduzir a visão da onça como uma ameaça, e muitos moradores agora reconhecem a importância da espécie para o ecossistema do parque.

Veja abaixo o momento em que Yara recebe o prêmio:

Desafios e continuidade da missão

Apesar dos avanços, a bióloga enfrenta desafios constantes, como a escassez de recursos e a resistência de algumas comunidades à convivência com as onças. O prêmio Whitley Award será fundamental para garantir a continuidade das ações de preservação e engajamento. O projeto, que já realiza cerca de 400 visitas anuais a propriedades, continua a trabalhar em soluções para garantir a segurança tanto dos felinos quanto dos moradores.

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