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Cientistas como Johan Rockström e Carlos Nobre se reúnem com a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, durante o lançamento do Painel Científico (Flickr / Ministério do Meio Ambiente)
Repórter de ESG
Publicado em 25 de abril de 2026 às 18h00.
Última atualização em 25 de abril de 2026 às 18h49.
Depois de estrear na COP30, a conexão entre ciência e negociações políticas ganhou novo impulso nesta sexta-feira, 24, em Santa Marta.
No primeiro dia da conferência internacional sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, foi lançado o Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET), reunindo nomes de peso como os brasileiros Carlos Nobre e Gilberto M. Jannuzzi, além de Johan Rockström, Vera Songwe e Ottmar Edenhofer, para orientar governos sobre a saída dos fósseis poluentes.
A iniciativa dialoga diretamente com um momento considerado simbólico em Belém, quando cientistas cobraram dos negociadores maior alinhamento entre as decisões políticas e os alertas mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Um manifesto divulgado na COP30 mostrou que o mundo precisa reduzir as emissões pelo menos 5% ao ano a partir de agora para manter viva a meta de limitar o aquecimento global a 1.5ºC do Acordo de Paris e eliminar rapidamente o uso de combustíveis fósseis é peça-chave.
Em meio ao avanço do negacionismo, ao peso do lobby fóssil e às dificuldades de consenso nas COPs, organizadores da conferência colombiana decidiram abrir os trabalhos dedicando o primeiro dia inteiramente aos achados da academia.
Durante o encontro, pesquisadores e especialistas discutiram desde orçamentos globais de carbono compatíveis com a manutenção de um planeta habitável até instrumentos para medir a velocidade com que diferentes países precisarão abandonar os fósseis.
Segundo a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, o grupo reunirá alguns dos principais especialistas do mundo em clima, economia e tecnologia para oferecer recomendações concretas a governos sobre como acelerar a descarbonização.
Para Johan Rockström, o novo painel pode cumprir também função diplomática.
“Vejo a ciência desempenhando um papel de ponte entre os países que querem avançar mais rápido na transição para longe dos combustíveis fósseis e aqueles que ainda duvidam. É uma forma de integrar gradualmente a todos”, afirma.
A declaração ecoa um sentimento crescente entre líderes e especialistas de que as COPs, sozinhas, têm encontrado dificuldade para transformar metas em ações concretas.
O lançamento ocorre com apoio da presidência brasileira da COP30 e aumenta a expectativa sobre o papel do Brasil na construção de um “mapa do caminho” ou roteiro global para a transição energética justa, proposta defendida pelo governo brasileiro e bastante defendido pela ex-ministra Marina da Silva.
Para especialistas, a criação do painel sinaliza uma tentativa de reorganizar a governança global e recolocar a ciência no centro das decisões e políticas para o combate mais efetido da crise do clima.