Airbnb faz primeira reunião de acionistas pós-IPO sob a sombra do ESG

Empresa trabalha para reduzir o impacto social de sua operação. Meses antes da oferta inicial, a companhia aderiu ao capitalismo de stakeholder
O Airbnb fará, na tarde desta terça-feira, 21, sua primeira reunião de acionistas após o IPO (Carlo Allegri/Reuters)
O Airbnb fará, na tarde desta terça-feira, 21, sua primeira reunião de acionistas após o IPO (Carlo Allegri/Reuters)
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Rodrigo Caetano

Publicado em 22/06/2021 às 06:00.

Última atualização em 22/06/2021 às 18:05.

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Airbnb fará, na tarde desta terça-feira, 21, sua primeira reunião de acionistas após o IPO, em dezembro do ano passado. O sucesso da oferta inicial surpreendeu os investidores – os papeis subiram 113% na estreia. Mas a questão dos padrões socioambientais e de governança da companhia ainda suscitam dúvidas. O Airbnb é uma empresa ESG 

A polêmica começou meses antes do IPO, quando a companhia anunciou que estava aderindo ao capitalismo de stakeholder, modelo que prega a geração de valor para todos os stakeholders, não apenas os acionistas. Uma lista com ações a serem tomadas para chegar aos objetivos foi publicada pela empresa, que anunciou investimentos de 250 milhões de dólares em medidas ESG.  

O anúncio veio após o Airbnb enfrentar uma série de batalhas jurídicas em cidades na Europa e nos Estados Unidos motivadas por moradores insatisfeitos com os impactos da companhia. A maior reclamação dizia respeito aos efeitos da plataforma nos aluguéis, que estariam ficando mais caros em função da possibilidade de os proprietários fazerem mais dinheiro alugando por pequenos períodos. 

No Brasil, o Superior Tribunal de Justiça determinou, em abril deste ano, que os condomínios podem proibir moradores de alugarem imóveis por temporada por meio do site Airbnb. A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que convenções de condomínio podem ser usadas para a vedação desse tipo de locação.  

O processo em questão trata de um caso específico de um condomínio de Porto Alegre que foi à Justiça contra condôminos por uso do aplicativo para alugar seus imóveis. Foi o primeiro a chegar à Corte, mas não terá o entendimento aplicado automaticamente a outras ações do gênero. No entanto, abre um precedente que pode ser utilizado em decisões futuras. 

Para o Airbnb, “proibir ou restringir a locação por temporada viola o direito de propriedade de quem aluga seu imóvel regularmente”. De qualquer forma, está claro que os impactos sociais gerados por seu modelo de negócios interferem na capacidade de prestar os serviços.  

Efeito pandemia

 

Segundo o CEO do Airbnb, Brian Chesky, a pandemia gerou a maior mudança no setor de viagens desde o avião. “Os limites entre viajar, trabalhar e morar estão se misturando”, disse ele, em entrevista à agência Bloomberg. “Quando você vai a algum lugar por 28 dias ou mais, provavelmente não está mais viajando. Nesse ponto, 24% do nosso negócio é realmente morar - não somos mais apenas uma empresa de viagens.” 

Essa tendência de estadias de longa duração está remodelando os negócios da empresa. “Você tinha que ser rico para morar em outro lugar durante o verão, mas as pessoas podem adiar os custos agora alugando [sua casa principal] no Airbnb quando estiverem fora. Pode até se tornar uma possibilidade neutra de gastos”, diz Chesky.