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A capital mais poluída do mundo paga até mil dólares para quem trocar veículos por elétricos

Governo de Nova Delhi lança incentivos para mobilidade sustentável e vai proibir motos a combustão até 2028 para conter a poluição recorde

Em Nova Delhi, veículos de duas e três rodas como motos são bastante comuns e respondem por 46% da poluição do ar da cidade (Imagem gerada por IA/EXAME)

Em Nova Delhi, veículos de duas e três rodas como motos são bastante comuns e respondem por 46% da poluição do ar da cidade (Imagem gerada por IA/EXAME)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 30 de junho de 2026 às 15h30.

Última atualização em 30 de junho de 2026 às 15h48.

No inverno, quem mora em Nova Delhi convive com um ar tão denso e cinza que muitas vezes não dá para ver os prédios do outro lado da rua.

A poluição que se acumula nessa época do ano, presa por um fenômeno de estagnação atmosférica, é uma mistura de gases de escapamento de veículos, poeira de obras e fumaça da queima de resíduos agrícolas nos estados vizinhos.

Moradores relatam sentir um "gosto cinza" no ar e dificuldade para respirar após poucos minutos do lado de fora, uma situação que já levou escolas a suspenderem aulas e o governo a paralisar atividades e serviços em prol da saúde pública.

Com um índice de qualidade do ar considerado perigoso e caracterizado como "infernal e mortal", a capital da índia é considerada a mais poluída do mundo. 

É nesse contexto que o governo anunciou a aposta mais recente para tentar mudar esse cenário dramático: trocar carros, motos e caminhões movidos a combustão por veículos elétricos e anunciou um incentivo financeiro.

Pelo novo programa, donos de veículos comprados antes de abril de 2020 poderão receber até US$ 1.000 para se desfazerem deles em troca de um elétrico.

A política conta com um investimento do governo indiano de US$ 1,59 bilhão, distribuídos ao longo de quatro anos.

Compradores de scooters e motocicletas elétricas vão receber US$ 317 no primeiro ano de vigência do programa, valor que cai para US$ 105 até o terceiro ano.

A medida também inclui recursos para quem instalar pontos de recarga, com a meta de chegar a 32.000 carregadores espalhados pela cidade para melhorar a infraestrutura da mobilidade elétrica. 

Prazos para sair dos combustíveis fósseis

A partir de 1º de abril de 2028, Nova Delhi só vai registrar veículos novos de duas rodas que forem elétricos. Na prática, representa o fim da venda de motos e scooters movidos à combustão.

Para veículos de três rodas e caminhões leves da categoria N1, o prazo é mais curto: a obrigatoriedade da eletricidade entra em vigor já em 1º de janeiro de 2027.

A decisão não é casual e impacta diretamente nas emissões. Segundo dados da Reuters, 46% da poluição de Nova Delhi é atribuída a veículos de duas e três rodas e 33% a veículos comerciais de transporte de carga.

Recuo no protagonismo climático

A nova política contrasta com outros sinais recentes da Índia na agenda climática. Em março de 2026, com mais de um ano de atraso, o país apresentou sua nova contribuição determinada nacionalmente (NDC) para 2035, se comprometendo a reduzir as emissões de carbono em 47% em relação aos níveis de 2005 e a elevar para 60% a participação de fontes limpas na matriz elétrica.

O plano aposta em inovações tecnológicas, mas foi avaliado como conservador por especialistas.

Após a COP30 em Belém, a Índia também retirou discretamente sua candidatura para sediar a a grande conferência climática da ONU (COP33) prevista para 2028 .

A decisão foi comunicada a outras nações do grupo Ásia-Pacífico no início de abril e deixou o processo de escolha do país anfitrião de volta à estaca zero, reacendendo dúvidas sobre o protagonismo do Sul Global nas negociações climáticas. 

O recuo chama atenção pelo peso indiano na conta do clima: o país é hoje o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, atrás apenas de China e Estados Unidos, e desempenha papel decisivo no sucesso ou fracasso das metas do Acordo de Paris que tenta limitar o aumento da temperatura a 1.5ºC em relação aos níveis pré-industriais.

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