ESG

Oferecimento:

LOGO SITE YPÊ
LOGO SITE COPASA
LOGO SITE COCA COLA FEMSA
LOGO SITE AFYA
LOGO SITE PEPSICO

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

5x1 para os combustíveis fósseis: o abismo global entre investimentos em energia limpa e poluente

Estudo divulgado na Conferência de Santa Marta revela que governos destinaram mais de US$ 1,2 trilhões a fontes poluentes em 2024, cinco vezes mais do que em renováveis

Na COP30, o “Fóssil do Dia” expôs diariamente países acusados de sabotar o avanço da agenda climática (Leandro Fonseca /Exame)

Na COP30, o “Fóssil do Dia” expôs diariamente países acusados de sabotar o avanço da agenda climática (Leandro Fonseca /Exame)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 27 de abril de 2026 às 19h00.

Última atualização em 27 de abril de 2026 às 21h01.

Enquanto a guerra e os temores sobre a oferta global de petróleo recolocaram a segurança energética no centro do debate, pelo menos 50 países se reúnem nesta semana em Santa Marta, na Colômbia, para a primeira conferência internacional dedicada ao fim dos combustíveis fósseis. 

Às vésperas do segmento ministerial do encontro colombiano, uma nova análise divulgada pelo International Institute for Sustainable Development (IISD) nesta segunda-feira, 27, revela que os governos ainda seguem financiando justamente as fontes poluentes que dizem querer superar.

Segundo o estudo, o apoio público global aos petróleo, gás e carvão superou US$ 1,2 trilhão em 2024, enquanto a energia limpa recebeu US$ 254 bilhões.

O "abismo" é uma diferença de cinco para um e vai na contramão da transição energética .

Para os pesquisadores, o desequilíbrio ajuda a explicar por que crises geopolíticas continuam tendo impacto direto sobre inflação, contas públicas e custo de vida.

Quando o preço do barril sobe ou a oferta global é ameaçada, países recorrem novamente a subsídios emergenciais para conter combustíveis e energia.

“O impulso costuma ser gastar mais dinheiro público com fontes fósseis. Mas essa abordagem é cara, difícil de reverter e deixa as pessoas expostas à próxima crise”, afirma Angela Picciariello, pesquisadora sênior do instituto.

Na semana passada, outro levantamento da mesma organização mostrou que nove dos dez maiores importadores de combustíveis fósseis do mundo gastaram US$ 314 bilhões em subsídios em 2024, valor 2,5 vezes superior ao destinado a renováveis nesses países.

A conclusão foi que economias altamente dependentes de importações continuam financiando a própria exposição à volatilidade internacional de preços e a crises geopolíticas.

Outro achado do estudo diz respeito às empresas públicas de energia. Em 2024, companhias estatais do G20 investiram cerca de US$ 360 bilhões em expansão e modernização do setor, mas 81% desse total ainda foi direcionado à infraestrutura fóssil.

Na avaliação dos autores, isso amplia o risco de ativos encalhados e pode atrasar a transição energética. Por outro lado, há sinais de mudança em alguns países, com estatais da China, India e França ampliando a destinação de recursos para renováveis e redes.

Subsídios seguem como principal gargalo

Os dados mostram que os subsídios globais aos combustíveis fósseis somaram US$ 921 bilhões em 2024 e podem voltar a subir em um cenário de petróleo pressionado.

Em 2022, durante a crise energética desencadeada pela guerra entre Russia e Ucrânia, esse valor chegou a US$ 1,7 trilhão.

Segundo o IISD, medidas generalizadas para conter preços tendem a ser caras, pouco eficientes e frequentemente beneficiam mais os grupos de maior renda do que as famílias mais vulneráveis.

Renováveis avançam, mas ainda em ritmo insuficiente

Os governos do G20 destinaram cerca de US$ 169 bilhões para energia renovável em 2024. A alta representa avanço, mas ainda está distante da escala considerada necessária para reduzir emissões e ampliar a segurança energética.

Segundo especialistas, investimentos públicos em redes elétricas, armazenamento, eletrificação e eficiência energética seriam mais eficazes para reduzir contas de energia e exposição a choques externos no longo prazo.

No fluxo internacional de recursos públicos, houve avanço positivo em 2024. O financiamento a combustíveis fósseis por parte de governos do G20 e grandes bancos multilaterais caiu para US$ 37 bilhões, enquanto o apoio à energia limpa subiu para US$ 47 bilhões.

Apesar da inversão, o instituto afirma que o ritmo ainda é insuficiente para alinhar o sistema financeiro global às metas climáticas e às necessidades de países mais vulneráveis à dependência de importações de energia.

Pressão sobre roteiros nacionais até a COP31

Em Santa Marta, o objetivo das negociações é justamente discutir caminhos para transformar em políticas públicas o compromisso firmado na COP28 em Dubai de iniciar a transição para longe dos combustíveis fósseis.

A expectativa agora é que os países avancem em roteiros nacionais concretos até a COP31 na Turquia, com metas, cronogramas e fontes de financiamento para substituir gradualmente petróleo, gás e carvão por sistemas energéticos mais limpos e resilientes.

Na vanguarda, a Colômbia anunciou no primeiro dia da conferência um plano para reduzir em 90% o uso de combustíveis fósseis até 2050. 

O movimento aumentou a pressão sobre o Brasil, que teve na COP30 em Belém, a promessa de apresentar seu próprio roteiro de transição, mas ainda engatinha com o documento e está dois meses atrasado em relação ao prazo inicial previsto em despacho presidencial.

Acompanhe tudo sobre:ESGSustentabilidadeClimaMudanças climáticasPetróleo

Mais de ESG

Brasil ganha primeiro reator de alta tensão a óleo vegetal das Américas

A guerra no Irã e a nova ordem energética mundial

Porto corta emissões em 24% e lucra R$ 1,1 bi em um ano de estratégia ESG

300 toneladas de CO2 evitadas: projeto da ICONIC transforma óleo usado para descarbonização