Intenção é incentivar projetos científicos que coloquem o Brasil em destaque no mundo acadêmico (Divulgação/FUMDHAM)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 16h59.
A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado aprovou na última quarta-feira, 12, a criação da Comenda Niède Guidon, uma premiação para pessoas ou instituições que tenham feitos notáveis no âmbito da ciência.
A proposta, de autoria do senador Marcelo Castro (MDB/PI), prevê a entrega da honraria para até cinco vencedores anualmente no dia 12 de março — data de nascimento da arqueóloga brasileira que dá nome à premiação.
De acordo com o texto, os candidatos considerados para a agraciação deverão ser indicados pelos senadores, acompanhados de justificativa e currículo.
A escolha final ficará a cargo de um conselho constituído por um membro de cada partido com representação no Senado e que será renovado a cada dois anos.
Para o presidente da CCT, Flávio Arns (PSB/PR), a finalidade é distinguir cientistas e instituições que impulsionam o progresso da ciência e consolidam o acervo de conhecimentos do País.
“A iniciativa pretende o fomento à produção intelectual e à formação de novos pesquisadores”, diz o texto final da Comissão.
Até a última atualização desta reportagem, a proposta aguarda a nomeação de um relator para debater a escolha no plenário do Senado.
Niède Guidon
Escolhida para dar nome à comenda, Niède Guidon foi uma arqueóloga brasileira nascida em 1933 em Jaú, no interior do estado de São Paulo. Ela faleceu em junho de 2025 aos 92 anos de idade.
Na década de 70, Niède começa a estudar o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, com a intenção de entender a chegada do homem à América do Sul. Após anos, ela confirmou que isso aconteceu pela desembocadura do Rio Parnaíba, no norte do Piauí, com os seres humanos vindos da África, por volta de 130 mil anos atrás, devido a uma grande seca.
Com isso, segundo os senadores, a pesquisadora trouxe protagonismo ao Brasil no cenário científico mundial.
“Sua trajetória, pautada pela defesa da ciência como patrimônio da humanidade e concretizada na criação da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), serve de paradigma para o reconhecimento do mérito intelectual”, afirma Flávio no texto da CCT.
Em 1991, ela solicitou à UNESCO que o Parque fosse alçado à Patrimônio Cultural da Humanidade devido à maior concentração de pinturas rupestres do mundo.
“Para todos nós que tivemos a honra do convívio e aprendizagem nas conversas, nas escritas das dissertações, teses e projetos, e também nos trabalhos fundamentais para preservar todo o patrimônio para o qual dedicou sua vida, resta o mais profundo orgulho e agradecimento”, diz a nota de falecimento divulgada pela FUMDHAM em 2025.