A ferramenta do Banco Central foi lançada em dezembro de 2025 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
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Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 20h43.
Criado para frear um dos principais vetores de golpes financeiros no País, o BC Protege+ vem ganhando adesão acelerada desde que foi lançado pelo Banco Central (BC), em dezembro de 2025. A ferramenta permite que cidadãos e empresas bloqueiem, de forma preventiva, a abertura de contas bancárias em seus nomes, reduzindo o risco de fraudes associadas ao uso indevido de dados pessoais.
A proposta é simples: ao ativar o serviço, o usuário comunica oficialmente ao sistema financeiro que não deseja abrir novas contas nem ser incluído como titular ou representante em contas de terceiros. A informação passa a ser automaticamente consultada por todas as instituições financeiras antes de qualquer contratação, tornando a checagem obrigatória.
Segundo o Banco Central, o BC Protege+ já evitou mais de 111 mil tentativas de abertura de contas fraudulentas em pouco mais de um mês de funcionamento. O número de adesões também cresce de forma consistente e deve ultrapassar a marca de um milhão de usuários nas próximas semanas, se mantido o ritmo atual de ativações diárias.
“O BC Protege+ é, ao mesmo tempo, um serviço para cidadãos e uma ferramenta que contribui para a integridade do sistema financeiro”, afirmou a diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do BC, Izabela Correa, à imprensa. A iniciativa reforça a estratégia da autoridade monetária de atuar de forma preventiva contra crimes financeiros, ao invés de apenas reagir após a ocorrência de fraudes.
Na prática, o bloqueio se aplica à abertura de contas-corrente, contas de poupança e contas de pagamento pré-pagas, além da inclusão de novos titulares ou representantes, inclusive em contas já existentes. Ficam de fora, por enquanto, as contas salário, destinadas exclusivamente ao recebimento de remuneração ou benefícios.
Para ativar o BC Protege+, o cidadão deve acessar o site do Banco Central, entrar na área “Meu BC”, fazer login com a conta gov.br de nível prata ou ouro e habilitar o serviço. A proteção entra em vigor imediatamente e pode ser desativada a qualquer momento, caso o usuário decida abrir uma nova conta. O sistema permite, inclusive, programar uma data para reativação automática da restrição.
Outro diferencial é a transparência. O usuário pode consultar dois históricos distintos: um com as ativações e desativações feitas por ele próprio e outro com todas as consultas realizadas por instituições financeiras ao seu status no BC Protege+. Atualmente, mais de 33 milhões de consultas já foram registradas.
O serviço é gratuito, totalmente digital e também se aplica a menores de idade, desde que o cadastro seja feito pelo responsável legal. Para empresas, a restrição alcança tanto a pessoa jurídica quanto seus representantes.
Com o avanço dos golpes digitais e o uso cada vez mais sofisticado de dados vazados, o BC Protege+ surge como uma camada adicional de defesa, colocando nas mãos do cidadão o controle sobre a abertura de contas e ampliando a segurança de todo o sistema bancário.