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Projeto Tarifa Zero nas capitais colocaria até R$ 60 bi a mais na economia nacional todos os meses

Pesquisa aponta para viabilidade em caso de incentivo fiscal e adesão de empresas. Ministro dos Transportes pondera efetividade

Tarifa Zero aplicada em todas as capitais brasileiras pode inserir até R$ 60 bilhões na economia nacional

Tarifa Zero aplicada em todas as capitais brasileiras pode inserir até R$ 60 bilhões na economia nacional

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Publicado em 12 de maio de 2026 às 20h50.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) revelou que, se colocado em prática, o programa Tarifa Zero em todas as capitais do País pode injetar até R$60 bilhões na economia nacional mensalmente.

A PEC 25/2023, em tramitação no Congresso, prevê a criação do Sistema Único de Mobilidade (SUM), que serviria de base, segundo os pesquisadores, para o sucesso de um programa como o Tarifa Zero.

“A base do projeto é justamente uma mudança em toda a lógica. Garantir subsídios massivos para custear a oferta e não a demanda. Você criaria situações para os meios de transporte público se expandirem”, disse Daniel Santini, pesquisador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador na fundação Rosa Luxemburgo.

Segundo Daniel, que também é doutorando no assunto, a implementação de um modelo como esse pode gerar um aumento da demanda, uma vez que as pessoas que atualmente deixaram de utilizar meios públicos para utilizar os próprios veículos ou carros de aplicativo passariam a utilizar o sistema gratuito de transporte.

Apesar de ser um desejo em comum entre a população e os políticos, a ideia esbarra em problemas com o financiamento do modelo, como contou à reportagem George Santoro, ministro dos Transportes.

Prevendo isso, a equipe de pesquisa chefiada pelo professor Thiago Trindade criou uma solução que prevê a troca do pagamento de Vale Transporte por parte das empresas para um incentivo ao governo para sustentar o projeto de forma gratuita aos usuários.

“O problema é que, na realidade de hoje, esse valor não cobriria nem 15% dos custos de um projeto desse tamanho”, alertou o ministro.

Para ele, a ideia de ampliar a gratuidade para todas as pessoas de todas as idades é incrível, mas a metodologia para aplicar isso torna o desejo um desafio.

“Toda política pública precisa de um projeto piloto para entender a necessidade antes de aplicar para outras cidades (...) O risco que corremos é aumentar demais a demanda e não haver frotas suficientes para cobrir isso”, relatou Santoro.

Tarifa Zero como um programa de distribuição de renda

Segundo a pesquisa, ao converter o gasto com passagens em renda disponível, o Estado promoveria uma injeção de liquidez capaz de dinamizar o mercado interno, reduzir a segregação racial e espacial e consolidar um novo patamar de desenvolvimento inclusivo para as metrópoles brasileiras.

“Quando você permite que os provedores da casa deixem de gastar com trem, metrô e ônibus para chegarem ao trabalho, você abre espaço para que esse gasto seja revertido em algo para dentro do lar, como alimentação, saneamento básico e qualidade de vida”, ressaltou Daniel Santini.

No entanto, é importante destacar que um programa como esse incorporando a economia nacional poderia abrir caminho para uma crise inflacionária devido ao rápido crescimento na renda média dos brasileiros.

Benefício ambiental

Segundo a pesquisa, uma eventual adesão ao programa Tarifa Zero poderia impactar diretamente a emissão de gases poluentes. A previsão dos especialistas aponta para uma redução de 4,1% nas emissões, considerando que milhões de pessoas deixariam de gastar com seus veículos para utilizar o benefício.

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