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Produção industrial brasileira tem pior desempenho no mês de abril em três anos, segundo CNI

Apesar do recuo na produção e no emprego devido aos juros altos, setor reage com alta na intenção de investir em maio

Os indicadores de expectativa (medidos em maio) para os próximos seis meses continuam positivos e acima de 50 pontos, apesar do recuo de abril (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Os indicadores de expectativa (medidos em maio) para os próximos seis meses continuam positivos e acima de 50 pontos, apesar do recuo de abril (Tomaz Silva/Agência Brasil)

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Publicado em 26 de maio de 2026 às 17h00.

Segundo a mostra Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a atividade industrial brasileira recuou mais que o esperado em abril de 2026, com o índice de produção caindo de 53,7 para 46,7 pontos — o pior resultado para o mês desde 2023. Embora a queda em abril seja sazonal, o recuo foi mais intenso do que o normal, pressionado pelos juros elevados e pelo aumento dos custos operacionais, de acordo com o levantamento.

Alexandre Magno de Almeida, analista de Políticas e Indústria da CNI, explica que parte do resultado se deve a fatores de calendário: "Parte da queda de abril tem componente sazonal, associado ao menor número de dias úteis e à concentração de feriados, o que ajuda a explicar o recuo da produção naquele mês."

A retração também impactou o mercado de trabalho e a ocupação das fábricas. O índice de evolução do número de empregados encolheu de 49,1 pontos em março para 48,7 pontos em abril, evidenciando uma redução nos postos de trabalho da indústria. Paralelamente, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 1 ponto percentual em relação a março, fixando-se em 68%.

Estoques operam abaixo do planejado pelas empresas

O levantamento da CNI aponta que o nível de estoques das indústrias segue abaixo do desejado. O índice de estoque efetivo-planejado registrou a segunda queda consecutiva, recuando de 49,5 pontos para 48,9 pontos. Ao se distanciar da linha divisória de 50 pontos, o indicador confirma que as empresas estão operando com volumes estocados inferiores ao que haviam programado.

Para Haroldo da Silva, economista, advogado e presidente do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP), a situação dos estoques traz um elemento de proteção ao setor: “A própria sondagem mostra que os estoques seguem abaixo do planejado há quatro meses consecutivos, o que reduz o risco de uma paralisação mais longa da produção. Qualquer melhoria da demanda, ensejará novas encomendas, já que os estoques estão baixos”.

Alexandre Magno de Almeida concorda que a situação dos estoques irá impulsionar a atividade logo adiante, mas descarta pressões imediatas nos preços por desabastecimento. "O fato de os estoques seguirem abaixo do planejado pode gerar necessidade de recomposição da produção nos próximos meses, mas isso não significa necessariamente risco imediato de gargalos de abastecimento ou pressão inflacionária relevante no curto prazo. A indústria ainda opera com a Utilização da Capacidade Instalada em 68%, o que significa que existe espaço para retomada da produção sem necessidade imediata de expansão da capacidade˜, avalia.

Otimismo para o futuro

Os indicadores de expectativa (medidos em maio) para os próximos seis meses continuam positivos e acima de 50 pontos, apesar do recuo de abril. Ocorreram oscilações discretas nas projeções de compra de insumos (52,5 para 52,6 pontos), contratações (50,1 para 50,4 pontos) e exportações (50,9 para 51,2 pontos), enquanto a expectativa de demanda por produtos caiu de 53,9 para 53,4 pontos.

Segundo o analista da CNI, o empresariado segue otimista por considerar o recuo passageiro: "Os índices de expectativa permaneceram positivos porque os empresários ainda enxergam o cenário de curto prazo como de desaceleração moderada, e não de retração prolongada da atividade. O resultado de abril parece refletir uma desaceleração pontual, não uma reversão estrutural da recuperação observada no primeiro trimestre de 2026."

O principal destaque do período foi a retomada do interesse em investir. Após acumular quatro quedas consecutivas, o índice de intenção de investimento da indústria avançou 1,1 ponto na passagem de abril para maio, subindo de 53,7 pontos para 54,8 pontos. O resultado posiciona o indicador 2,2 pontos acima da sua média histórica, que é de 52,6 pontos.

O presidente do Corecon-SP associa essa reação ao cenário global e avalia: “No plano internacional, o mercado acompanha a possibilidade de redução das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz. Uma eventual normalização parcial da rota pode aliviar custos de frete, energia e matérias-primas, melhorando as expectativas para os próximos meses. O fato de o indicador ter voltado para 54,8 pontos, acima da média histórica, sugere que parte da indústria ainda acredita em melhora gradual da demanda, sobretudo em setores ligados à infraestrutura, exportação, transição energética e substituição de importações”, conclui Silva.

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