A regra que leva o eleitor a votar duas vezes está relacionada à renovação do Senado. (Jefferson Rudy/Agência Senado)
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Publicado em 8 de setembro de 2026 às 10h31.
As eleições de 2026 vão exigir uma atenção extra do eleitor na hora de votar para o Senado. Cada estado e o Distrito Federal terão duas vagas em disputa, o que significa que o eleitor precisará escolher dois candidatos diferentes para a Casa. O modelo foi utilizado pela última vez em 2018, quando cerca de 63 milhões de votos para o Senado ficaram em branco, foram anulados ou não foram completados.
O número chama atenção porque a eleição para o Senado historicamente concentra uma proporção maior de votos inválidos. Em 2018, 26,9% dos votos destinados ao cargo foram considerados inválidos. Somados aos eleitores que não compareceram às urnas, 42% dos votos possíveis acabaram não sendo convertidos em uma escolha válida. Em 2022, quando apenas uma cadeira por estado estava em disputa, a taxa de votos brancos e nulos foi de 18,7%.
Para o cientista político e professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) Rafael Cortez, a necessidade de registrar dois votos ajuda a explicar o fenômeno, mas não é o único fator. “A campanha para o Senado não tem um destaque muito elevado quando comparada à das demais disputas majoritárias, especialmente as eleições presidencial e para governador”, disse à Esfera Brasil. Segundo ele, isso amplia a distância entre os eleitores e os candidatos ao cargo.
Cortez avalia que parte dos votos perdidos pode decorrer de uma confusão na própria urna. “O eleitor já imagina ter feito a escolha para o Senado. Com isso, acaba eventualmente se confundindo: pula, repete o voto ou faz alguma coisa que acabe gerando essa anulação”, explica. Os dados de 2018, no entanto, não permitem determinar quantos votos foram anulados intencionalmente e quantos resultaram de erros.
A regra que leva o eleitor a votar duas vezes está relacionada à renovação do Senado. A Casa possui 81 senadores, com mandatos de oito anos. Como a substituição ocorre de forma alternada, em uma eleição são renovados dois terços das cadeiras — duas por estado e pelo Distrito Federal — e, na seguinte, apenas um terço, com uma vaga por unidade da Federação. Em 2026, portanto, cada eleitor deverá escolher dois nomes.
Os votos são registrados separadamente. É necessário indicar candidatos diferentes, e não existe voto de legenda para senador. Caso o eleitor repita o mesmo número, apenas o primeiro voto é considerado válido; o segundo é anulado. Também não é possível escolher candidatos de outro estado.
Além dos dois titulares, cada candidato ao Senado registra uma chapa com dois suplentes. Eles não são escolhidos em votação separada: assumem o mandato em situações previstas pela legislação, como afastamento ou vacância do titular. A substituição ocorre conforme a ordem definida no registro da candidatura.
Para Cortez, o cenário de 2026 pode reproduzir parte do comportamento observado em 2018. “Se esses fatores são importantes para explicar a situação, devemos ter algo parecido nessa decisão”, afirma. Ele acrescenta que disputas acirradas entre candidatos do mesmo campo político em determinados estados também podem influenciar o volume de votos não aproveitados.