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Plataforma MAIS traça raio X do terceiro setor com foco em critérios ESG

Projeto usa tecnologia a favor da filantropia para conectar ONGs a investidores
 (Adam Gault/Getty Images)
(Adam Gault/Getty Images)
Por Esfera BrasilPublicado em 16/06/2022 09:30 | Última atualização em 10/06/2022 16:52Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Mais de 85% das organizações sociais do Brasil têm como foco a erradicação da pobreza, temática que se tornou ainda mais relevante considerando que o país voltou para Mapa da Fome e tem a pobreza como uma questão relevante após a pandemia. O levantamento é da plataforma MAIS - Mapa do Impacto Social, um banco de dados sobre o terceiro setor brasileiro que leva em consideração o impacto que as organizações geram no alcance da Agenda 2030, da ONU. No caso, a erradicação da pobreza representa o Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1.

O MAIS ainda aponta que quase 85% das organizações estão alinhadas ao ODS 10 (Redução das desigualdades), e mais de 76% colaboram com o ODS 16 (Paz, justiça e instituições eficazes). Porém, apenas 21% estão ligadas ao ODS 8 (Trabalho decente e crescimento econômico). E com representatividades ainda menores, apenas 15% possuem suas atividades principais relacionadas o ODS 4 (Educação de qualidade) e 0,5% das OSCs têm suas atuações alinhadas ao eixo Ambiental.

Por meio da plataforma, lançada há menos de 1 mês, ONGs e OSCs poderão atualizar as suas informações para terem visibilidade e alcançarem potenciais investidores, parceiros e doadores. “Conseguir fomentar o alinhamento das organizações do terceiro setor com as temáticas de impacto da Agenda 2030 é fundamental para acelerarmos a transição para um desenvolvimento econômico mais justo, inclusivo e equilibrado. Disponibilizar o acesso a essas análises e dar visibilidade para as ONGs e OSCs, de forma que possam multiplicar o impacto positivo gerado, alinhado à Agenda 2030, é primordial para a nossa sociedade”, explica Gabriela Ferolla, diretora executiva da SEALL, startup parceira do projeto.

Por meio de um alinhamento à Agenda 2030, as organizações poderão alcançar uma linguagem global e inclusiva e, consequentemente, conseguir parceiros financeiros e de desenvolvimentos de outros projetos por meio de um ambiente seguro para doações e investimentos, oferecendo mais espaço para iniciativas fora do eixo Rio-São Paulo.

"Desenhar estratégias que possam gerar impactos mensuráveis é o desafio do momento, e o MAIS vem trazer essa camada de inteligência de dados para o terceiro setor, apoiando estratégias, mas também dando mais visibilidade para as organizações com menos espaço de mídia", afirma Luiza Serpa, diretora do Instituto Phi.

Os dados apresentados vêm para fortalecer e colaborar com as ONGs e OSCs, que possuem uma atuação expressiva no país, porém ainda não dispõem de informações precisas sobre o cenário do terceiro setor brasileiro. Fontes diferentes apontam que existe algo entre 236 mil a 781 mil ONGs e OSCs no Brasil. E se a falta de informações é uma barreira para apontar quais CNPJs estão ativos, buscar dados sobre a atuação do terceiro setor quanto aos critérios ESG (sigla em inglês para ambientais, sociais e de governança) e alinhamento à Agenda 2030 é ainda mais difícil.

Assim, o MAIS irá atuar como um braço para que as organizações possam compreender como contribuem para a geração de impacto socioambiental e econômico positivos, em uma linguagem global. Utilizando a inteligência desenvolvida pela startup SEALL, as entidades poderão analisar suas operações e identificar novas oportunidades de atuação em relação às temáticas de impacto e, consequentemente, quais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estão alinhados à sua estratégia e poderão ser trabalhados visando uma gestão de impacto socioeconômico e ambiental mais efetiva.

“Em sua primeira versão o MAIS trouxe um raio X do terceiro setor no Brasil, mas não vamos parar nisso, estamos com um plano audacioso de trazer visibilidade para todo o setor de impacto incluindo iniciativas individuais, de coletivos sem pessoa jurídica e de negócios sociais e de impacto”, diz Flora Bitancourt, CEO da Impact Beyound, consultoria coidealizadora do projeto.

O banco de dados do MAIS considera a segurança, proteção e confiabilidade das informações que são tratadas conforme a LGPD e é fruto da união de parceiros que colaboram para fortalecer o terceiro setor no Brasil. O projeto foi coidealizado pela Impact Beyound e Instituto Phi e já possui mais de 30 parceiros e apoiadores, incluindo SEALL, Sintetizo, Ambev Voa, Movimento Bem Maior, Humanize, Movimento Por Uma Cultura de Doação, e Mercado Livre.