A reativação da Ansa não é um fato isolado, mas parte de um cronograma integrado de recuperação da soberania produtiva (Petrobras/Divulgação)
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Publicado em 5 de maio de 2026 às 00h10.
A Petrobras oficializou o início da produção de ureia na Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), localizada em Araucária (PR), na Região Metropolitana de Curitiba. O marco encerra o período de hibernação da unidade, iniciado em 2020, e consolida o retorno estratégico da companhia ao segmento de fertilizantes.
A operação recebeu aportes de R$870 milhões, destinados a um amplo ciclo de manutenção, inspeções técnicas, testes operacionais e recomposição de equipes, gerando mais de 2 mil empregos durante a fase de mobilização e mantendo cerca de 700 postos diretos na operação regular.
O senador Laércio Oliveira, que tem ampliado sua atuação em defesa do setor, destaca que a pauta ganhou urgência diante de crises como a Guerra da Ucrânia e as tensões no Irã. “Além da atuação nas áreas de petróleo, gás e energia, destaco a importância da redução da dependência do Brasil em relação à importação de insumos agrícolas, que evidenciaram riscos à garantia de suprimento no país”, afirma o parlamentar.
A reativação da Ansa não é um fato isolado, mas parte de um cronograma integrado de recuperação da soberania produtiva. Ela se soma à retomada das unidades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (FAFEN-SE), reativada em dezembro de 2025, e Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (FAFEN-BA), que voltou a operar em janeiro de 2026. A retomada atual ocorre de forma progressiva, priorizando a segurança dos colaboradores e a confiabilidade dos sistemas industriais.
Antes mesmo da produção de ureia ser normalizada, a planta já havia alcançado marcos importantes, como a produção de amônia e de ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), insumo essencial para o controle de emissões em veículos a diesel.
Com o funcionamento pleno destas três plantas (Ansa, FAFEN-BA e FAFEN-SE), a Petrobras projeta deter aproximadamente 20% do mercado interno de ureia.
Segundo o diretor de Processos Industriais da Petrobras, William França, o movimento é fundamental para mitigar a vulnerabilidade do agronegócio: “Reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico e os investimentos são baseados em viabilidade técnica e econômica."
Apesar do otimismo com a retomada das unidades, especialistas e lideranças políticas apontam que a sustentabilidade do setor depende de fatores estruturais. Para Laércio Oliveira, a competitividade está diretamente ligada ao custo da matéria-prima:
“A competitividade da produção nacional está diretamente ligada ao custo do gás natural, principal insumo na fabricação de nitrogenados. A redução do preço do gás é essencial para impulsionar a indústria no país”, avalia o senador.
O senador ainda ressalta que a entrada em operação de novas unidades é um passo importante, mas a consolidação passa, necessariamente, “pela garantia de um gás natural mais competitivo, condição fundamental para reduzir, de forma sustentável, a dependência brasileira de fertilizantes importados”.
Localizada estrategicamente ao lado da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), o que facilita o sinergismo logístico e de insumos, a Ansa possui as seguintes capacidades:
Ureia: 720 mil toneladas/ano (correspondente a 8% do mercado nacional);
Amônia: 475 mil toneladas/ano;
ARLA 32: 450 mil m³/ano.
O plano de expansão da estatal é ainda mais ambicioso. A Petrobras avança na conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), com previsão de entrada em operação comercial para 2029.
Com a integração desta nova planta ao parque fabril da companhia, a expectativa é que a Petrobras passe a suprir cerca de 35% da demanda nacional de ureia nos próximos anos. Esse avanço representa uma mudança estrutural na oferta interna, protegendo a economia brasileira contra as frequentes oscilações de preços e oferta no mercado internacional de fertilizantes.