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Pesquisa revela que 98% das empresas têm dificuldade para contratar profissionais em tecnologia

Levantamento realizado pela Ford em parceria com o Datafolha aponta escassez de talentos tech por falta de competência técnica

A falta de conhecimento técnico em tecnologia atinge 72% das empresas, principalmente em áreas como Inteligência Artificial (35%) (Erlon Silva/TRI Digital/Getty Images)

A falta de conhecimento técnico em tecnologia atinge 72% das empresas, principalmente em áreas como Inteligência Artificial (35%) (Erlon Silva/TRI Digital/Getty Images)

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Publicado em 27 de abril de 2026 às 20h33.

Pesquisa realizada pela Ford, em parceria com o Datafolha, revela que 98% das médias e grandes empresas brasileiras enfrentam dificuldades para contratar talentos em tecnologia. 

De acordo com o estudo "Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências", que ouviu 250 líderes de Recursos humanos (RH) e Tecnologia da informação (TI), o problema vai além da técnica. Embora a falta de conhecimento técnico atinja 72% das empresas, principalmente em áreas como Inteligência Artificial (35%) e Engenharia de Software (31%), as habilidades comportamentais, ou soft skills, tornaram-se o grande diferencial de exclusão.

Cerca de 37% das empresas rejeitam candidatos tecnicamente aptos por falta de inteligência emocional ou pensamento crítico. Somado a isso, o domínio do inglês é uma barreira eliminatória para 78% das organizações. Segundo a pesquisa, o resultado é um processo seletivo lento: metade das empresas leva entre um e dois meses para preencher uma única vaga.

De acordo com o levantamento, as empresas enfrentam ainda o desafio de reter a Geração Z, que valoriza a flexibilidade (49%) e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional (39%), o que exige uma reestruturação organizacional para manter esses jovens. 

Estatuto do Aprendiz 

 

Aprovado pela Câmara dos Deputados, o Estatuto do Aprendiz (PL 6.461/2019) surge como uma ferramenta para mitigar esse descompasso. Ao regulamentar a categoria para jovens de 14 a 24 anos e estabelecer cotas obrigatórias de 5% a 15% para empresas, o texto, que aguarda análise dos senadores, busca formalizar a entrada de talentos em setores pressionados pela inovação.

Segundo o estatuto, empresas que comprovem inviabilidade técnica para a contratação de aprendizes podem converter essa obrigação em pagamentos de até 12 meses ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Contudo, o foco permanece na formação prática, sendo obrigatório que 20% da carga horária seja dedicada ao ensino teórico. 

O novo estatuto fixa a obrigatoriedade de 5% a 15% de aprendizes no quadro das empresas, sob pena de multa de R$3.000 por vaga não preenchida. Somado a esse cenário regulatório, a pesquisa Ford indica que, nos próximos dois anos, as habilidades comportamentais irão superar as técnicas como o maior desafio de contratação, sendo citadas por 50% das empresas contra 44% das aptidões técnicas.

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