Segundo o prefeito, independentemente da orientação política, o Executivo federal terá o dever de reestruturar as finanças nacionais para garantir previsibilidade e estabilidade ao ambiente de negócios do País
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Publicado em 14 de setembro de 2026 às 20h49.
Durante sua participação na 4ª edição do Seminário Brasil Hoje, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, enfatizou a urgência de uma reformulação no sistema arrecadatório do País, mantendo um tom crítico em relação à perda de autonomia dos municípios.
"Obviamente precisa de uma reforma tributária", declarou Nunes, alertando para o desequilíbrio na distribuição dos impostos gerados pelas capitais. "Em São Paulo, para cada 100 reais que se manda para o governo federal, voltam 9 reais. Como é que a gente vai deixar mais dinheiro concentrado lá para administrar as coisas aqui?", questionou o prefeito, ao destacar a disparidade entre a arrecadação municipal e os recursos devolvidos pela União.
A principal preocupação manifestada pelo chefe do Executivo paulistano diz respeito à representatividade das cidades no novo desenho do Comitê Gestor do imposto unificado e ao avanço do apoio federal. "A questão da divisão é prioritária. O comitê está desequilibrado, temos somente 13 representantes de municípios do Brasil inteiro", afirmou.
O prefeito apontou ainda que o governo federal vem reduzindo o suporte repassado aos entes locais, sobrecarregando a prestação de serviços fundamentais, a exemplo da saúde, cujo orçamento na capital paulista atinge a marca de R$ 25 bilhões. Para ele, o País demonstra imaturidade democrática ao centralizar decisões financeiras sem assegurar uma gestão eficiente e descentralizada na ponta.
Por fim, Nunes vinculou o sucesso da reforma à governança responsável e à sustentabilidade das contas públicas, ressaltando que nenhum ente federativo pode gastar além do que arrecada sob risco de gerar colapso financeiro. "A questão da responsabilidade fiscal é fundamental para a gente ter um ambiente mais saudável. A gente precisa cuidar das contas públicas para que essa gastança não vá prejudicar", alertou.
Segundo o prefeito, independentemente da orientação política, o Executivo federal terá o dever de reestruturar as finanças nacionais para garantir previsibilidade e estabilidade ao ambiente de negócios do País: "O governo que ganhar vai ter que obrigatoriamente fazer um grande ajuste nas finanças".
O 4º Seminário Brasil Hoje: Do governo ao Estado, reuniu autoridades, empresários, especialistas e representantes do setor público para discutir os principais desafios do País e os caminhos para um novo ciclo político e econômico.
A programação contou com nomes como Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS; Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm Latam; Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Dario Durigan, ministro da Fazenda; André Esteves, chairman do BTG Pactual; Aloizio Mercadante, presidente do BNDES; além de parlamentares, secretários estaduais, especialistas em segurança, inteligência artificial e saneamento.