A Seleção Brasileira se prepara para enfrentar o Japão na próxima segunda-feira (29), na segunda fase. Em uma eventual decisão, a França é a adversária mais cotada. (FRANCK FIFE/AFP)
Repórter
Publicado em 29 de junho de 2026 às 07h18.
Última atualização em 29 de junho de 2026 às 18h18.
França, Espanha, Argentina e Inglaterra lideram o favoritismo para vencer a Copa do Mundo de 2026, de acordo com o simulador interativo do projeto Previsão Esportiva, após rodar 1 milhão de cenários baseados nas 48 partidas disputadas na primeira fase, que coloca os franceses no topo com 18,3% de chance de título. A plataforma foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de outras instituições parceiras, e permite ao público simular cenários em tempo real para ver o impacto nos resultados das seleções.
Criado originalmente na Copa de 2010, o projeto tem foco exclusivo em pesquisa e divulgação científica, utilizando modelos matemáticos e simulações computacionais baseados no histórico e no desempenho recente das equipes.
Segundo Ricardo Rocha, docente do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal da Bahia (IME-UFBA) e um dos coordenadores do projeto, os dados se baseiam em vários indicadores. “As principais variáveis que nós estamos considerando na nossa modelagem são os rankings históricos, especificamente o Ranking Elo, o momento de cada equipe ao longo do último ano, o valor de mercado das seleções, além do fator casa e do histórico e tradição em Copas do Mundo”, explica.
Com a classificação em primeiro lugar no Grupo C garantida, a Seleção Brasileira se prepara para enfrentar o Japão na próxima segunda-feira (29), na segunda fase. Em uma eventual decisão, a França é a adversária mais cotada (15,9%).
As probabilidades mudam conforme o andamento do torneio, como destaca o pesquisador Ricardo Rocha. “Quando surgem resultados inesperados, como um empate de uma seleção favorita contra uma equipe considerada mais fraca, o modelo passa a recalcular os cenários. Foi isso que fez a França ultrapassar a Espanha nas projeções após a primeira rodada”.
Além de oferecer previsões para a Copa do Mundo, o projeto busca aproximar o público da estatística e da ciência de dados por meio do futebol. A iniciativa reúne pesquisadores da USP, UFBA, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da francesa Neoma Business School.
Para Rocha, a principal contribuição da plataforma está no seu potencial educativo. “Uma das coisas que nós gostamos muito nesse projeto é justamente a oportunidade didática que ele nos oferece para que as pessoas entendam a variabilidade inerente a um jogo de futebol”, afirma. Segundo o pesquisador, a ferramenta ajuda a mostrar, de forma prática, como conceitos de probabilidade e incerteza influenciam os resultados dentro de campo.