Confronto armado levou à morte de mais de 300 mil pessoas e é considerado o mais sangrento da história do continente (Wikimedia Commons)
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Publicado em 3 de agosto de 2026 às 18h26.
Durante a última semana, a Guerra do Paraguai foi citada por diferentes autoridades sul americanas. Isso se deu, pela fala do Presidente Lula durante um evento no interior de São Paulo na sexta-feira, 24, em que ele falava sobre a importância de investir na defesa nacional.
“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”, disse Lula na ocasião.
A fala não foi bem aceita no lado paraguaio. Em Assunção, a Câmara dos Deputados local emitiu uma nota criticando os dizeres de Lula alegando que ele “distorceu e minimizou a história do conflito”.
A Guerra do Paraguai durou de 1864 até 1870 e, durante esses pouco mais de cinco anos, o continente passou por um dos seus períodos mais sangrentos em toda a história.
De acordo com dados preservados pelo Senado brasileiro, estima-se que na época, além das terras que foram anexadas por outros países, o Paraguai também perdeu 75% de sua população, seja em combate ou por fome e doenças que se espalharam pela nação durante o conflito.
Na última quinta-feira, o chanceler paraguaio, Ramirez Lezcano, convocou o embaixador brasileiro no país, José Marcondes, para prestar esclarecimentos acerca das falas de Lula.
De acordo com os registros históricos, o confronto teve início por tensões diplomáticas na região em 1864. Naquela época, o Paraguai era parceiro comercial e político do Uruguai, e escoava suas mercadorias pelo Rio Paraguai e o porto de Montevidéu.
Documentos guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, mostram que os senadores do Império descreviam o líder paraguaio Solano López como “tirano” e o comparavam a Napoleão Bonaparte.
Para Assunção, tanto Brasil quanto Argentina eram vistos como governos expansionistas e “possíveis inimigos”.
Diante de uma guerra civil que teve início no Uruguai, o Brasil decidiu intervir e participar do conflito local. A partir desse movimento, os paraguaios se manifestaram contra o Brasil, temendo perder seu aliado.
Os pedidos foram ignorados por Dom Pedro II, à época imperador, e então o Marechal Solano López decidiu atacar. Primeiro, sequestrou o navio brasileiro Marquês de Olinda e depois mandou suas tropas atacarem Corumbá, no Mato Grosso do Sul.
Com o término da guerra civil uruguaia e a queda do governo aliado de Assunção, Argentina — que também havia sido invadida por Solano López —, Uruguai e Brasil se unem formando a “Tríplice Aliança” para atacar o vizinho.
A guerra se estendeu nos anos seguintes até a capitulação da capital paraguaia, tomada pelo Brasil em 1869. Solano López foi encontrado no ano seguinte em uma cidade nas montanhas do norte do país. Como resultado do conflito, a população paraguaia foi reduzida à metade dos 500 mil habitantes da época. Do lado brasileiro, aproximadamente 50 mil vidas foram perdidas. Historiadores relatam que as mortes não se deram somente pelas circunstâncias do conflito, como também devido à proliferação de doenças entre os soldados em combate.