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Em meio à crise na Venezuela, brasileiros retornam pela fronteira de Roraima

Apesar do cenário de instabilidade política e militar, o fluxo de pessoas na fronteira foi mantido dentro da normalidade

O deslocamento ocorreu pela cidade de Pacaraima, em Roraima, sob acompanhamento do Exército Brasileiro (Bruno Kelly/Reuters)

O deslocamento ocorreu pela cidade de Pacaraima, em Roraima, sob acompanhamento do Exército Brasileiro (Bruno Kelly/Reuters)

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Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 19h52.

Brasileiros que estavam na Venezuela conseguiram retornar ao País no último sábado, 3, mesmo após o fechamento unilateral da fronteira pelo governo venezuelano. O deslocamento ocorreu pela cidade de Pacaraima, em Roraima, sob acompanhamento do Exército Brasileiro, que afirmou não haver riscos imediatos nem desordem na região fronteiriça.

O retorno aconteceu em meio à escalada de tensões provocada pela ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Apesar do cenário de instabilidade política e militar, o fluxo de pessoas na fronteira foi mantido dentro da normalidade, segundo as autoridades brasileiras.

Em comunicado oficial divulgado no âmbito da Operação Acolhida — força-tarefa humanitária que coordena o fluxo migratório entre Brasil e Venezuela desde 2018 — o Exército informou que brasileiros em solo venezuelano estavam autorizados a regressar ao País com segurança. 

“O cenário na fronteira com o Brasil permanece estável. O fluxo de pessoas em Pacaraima encontra-se normalizado, ordenado e seguro”, afirmou uma militar em vídeo institucional. De acordo com a corporação, as tropas seguem mobilizadas e preparadas para responder a qualquer aumento repentino da demanda.

Turistas brasileiros que passaram o réveillon na cidade venezuelana de Santa Elena, porta de entrada para a região da Gran Sabana, relataram fiscalização antes da travessia, mas conseguiram cruzar a fronteira sem incidentes. Viaturas e militares permaneceram posicionados próximos ao marco que divide os dois países, enquanto cones bloquearam temporariamente o acesso em razão da decisão do governo venezuelano de fechar a passagem.

Cautela institucional

A situação despertou atenção também no Congresso Nacional. No Senado, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional acompanha os desdobramentos da crise, especialmente os impactos sobre brasileiros no país vizinho e sobre as regiões de fronteira. Para o presidente da comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o episódio exige cautela institucional. 

“Todos nós fomos pegos de surpresa, apesar dos alertas terem sido dados e dos avisos reiteradamente colocados pelo governo americano junto ao governo da Venezuela”, afirmou.

O senador destacou ainda a preocupação com os precedentes abertos pela ação militar. “O que nos causa alerta e preocupação é a precedência que uma manobra como essa acaba por gerar”, disse, ressaltando que a América Latina é historicamente reconhecida como uma região pacífica e que a interferência direta entre países “nunca é bem vista no sistema democrático”. Para ele, “o direito internacional não prevê a banalização do uso da força”.

Embora crítico ao regime de Maduro, Trad ponderou que a análise do episódio deve considerar o contexto geopolítico mais amplo. “Algo que começou errado não tinha como terminar de outra forma”, opinou ao mencionar eleições contestadas, perseguições políticas e o êxodo de milhões de venezuelanos.

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