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Conexão entre agricultura e diplomacia é estratégica para segurança alimentar

Global Agribussiness Forum mostrou que a agricultura está no no centro de debates geopolíticos
 (Bloomberg Creative/Getty Images)
(Bloomberg Creative/Getty Images)
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Esfera BrasilPublicado em 07/09/2022 às 09:00.

Uma análise geral sobre os temas abordados no Global Agribusiness Forum de 2022, um dos mais relevantes encontros de agronegócio do Brasil, realizado em julho, em SP, mostra que a agricultura está no centro dos debates geopolíticos em todo o mundo, que estão sendo influenciados pelos atuais desafios demográficos, ecológicos e socioeconômicos.

Nesse sentido, a conexão entre agricultura, diplomacia e comércio exterior passou a exercer uma função estratégica de máxima importância. Além disso, pesquisas científicas estimam que até 2050 o aumento da população mundial será de 25%, e o desafio para garantir a segurança alimentar exigirá constantes esforços de cooperação internacional, fundamentados, principalmente, nas inovações tecnológicas e no combate sistemático contra o desperdício de alimentos.

O Relatório do Índice de Desperdício Alimentar do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, publicado em 2021, afirmou que a redução do desperdício de alimentos será uma necessidade cada vez mais evidente para todos os países do mundo. No entanto, infelizmente, o grande potencial econômico associado a esse tema ainda é pouco explorado, porque os estudos sobre a sua verdadeira escala e seus impactos ainda não estão sendo realizados com a devida profundidade, com algumas poucas exceções. O Programa das Nações Unidas para o Ambiente estima que cerca de 931 milhões de toneladas de alimentos foram desperdiçadas em 2019.

De acordo com o artigo "A próxima catástrofe alimentar”, publicado pela revista The Economist, uma catástrofe alimentar está se aproximando como consequência imediata da guerra na Ucrânia e suas crises geopolíticas, energéticas e humanitárias. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou recentemente que é possível que nos próximos meses seja observada uma escassez global de alimentos, que pode durar muitos anos.

Esse complexo cenário demonstra que a segurança alimentar envolve, essencialmente, três aspectos fundamentais: a produção agrícola sustentável, a partir das melhores inovações tecnológicas do século 21, o combate contra o desperdício de alimentos e a busca por soluções científicas para evitar a desertificação dos solos. Esses três aspectos precisam ser harmonizados através de políticas públicas que sejam capazes de envolver todos os stakeholders, para que soluções profundas e definitivas possam ser encontradas.

Nossa cultura contemporânea, muito envolvida com smartphones, internet, transformação digital, e-commerce, telemedicina e várias outras inovações precisa despertar, definitivamente, para a realidade de que nada é mais importante do que investir em estratégias robustas de segurança alimentar, antes que seja tarde demais.