Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas explora pouco (Serra Verde/Divugação )
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Publicado em 2 de julho de 2026 às 21h03.
De acordo com um estudo feito pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e divulgado em junho deste ano, seriam necessários cerca de US$1,65 bilhão de investimento para instalar uma planta de processamento de terras raras adequada às necessidades do país e que possa operar por cerca de 20 anos.
“Os estudos técnicos elaborados pelo Cebri buscam subsidiar a construção de uma estratégia nacional para terras raras, com foco em ampliar o conhecimento geológico, destravar projetos responsáveis, reduzir riscos para investimentos, fortalecer a capacidade nacional de separação e refino”, descreveu o MME em nota divulgada à reportagem.
A expectativa, com o investimento, é de que possam ser processados internamente os minérios encontrados nas terras raras brasileiras, como a monazita, xenotima e a bastnasita.
Eles são utilizados atualmente, em abundância, na produção de aparelhos tecnológicos, carros elétricos e até mesmo em turbinas eólicas.
Os estudos ainda visam estimular pesquisa, desenvolvimento e inovação, formar mão de obra qualificada e integrar a cadeia mineral a setores como energia renovável, mobilidade elétrica, defesa, eletrônica avançada e produção de ímãs permanentes.
Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o país que mais extrai, refina e comercializa esse tipo de material no mundo é a China. No entanto, o Brasil é o segundo maior detentor desse tipo de matéria-prima no globo.
“A estratégia brasileira busca posicionar o país como parceiro confiável, estável e sustentável nas cadeias globais, preservando a capacidade de definir prioridades nacionais e ampliar a participação nas etapas de maior valor agregado”, pontuou no documento o Ministério.
De acordo com os números apresentados na pesquisa, se aplicado o investimento esperado, o País pode ter um potencial adicional estimado em 38,7 mil toneladas de óxidos de terras raras (TREO) que, segundo dados de 2025, seria equivalente a 10% da produção mundial.
Para além do valor citado anteriormente na reportagem, o MME e o Cebri calcularam que seriam necessários cerca de US$525 milhões para garantir o funcionamento do sistema no primeiro ano de uso.
“O desafio estratégico é transformar essa carteira de projetos em uma cadeia integrada, capaz de avançar da mineração ao processamento, refino, produção de materiais avançados e aplicações industriais. Esse é o caminho para que o país converta sua vantagem geológica em competitividade, geração de empregos, inovação e desenvolvimento sustentável”, concluiu o MME.