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Acordo Mercosul-UE avança em meio à busca europeia por novos fornecedores

Levantamento da ApexBrasil indica potencial de diversificação das exportações e pontua entraves que ainda limitam a presença brasileira no mercado europeu

Dados apresentados pela ApexBrasil mostram que o Brasil ainda responde por apenas 1,6% das importações europeias (Nicolas Tucat/AFP)

Dados apresentados pela ApexBrasil mostram que o Brasil ainda responde por apenas 1,6% das importações europeias (Nicolas Tucat/AFP)

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Publicado em 5 de maio de 2026 às 20h21.

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, na última sexta-feira, 1º, ocorre em um momento de reconfiguração das cadeias globais: diante do aumento do protecionismo e das tensões com os Estados Unidos, o bloco europeu tem buscado diversificar fornecedores — movimento que pode ampliar o espaço do Brasil como parceiro estratégico em energia, insumos industriais e matérias-primas.

A medida amplia o acesso a um dos mercados mais relevantes do mundo, com 448,6 milhões de consumidores e Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 21,2 trilhões. Dados apresentados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) mostram que, apesar de o comércio bilateral já ter alcançado US$ 100 bilhões em 2025, a presença brasileira ainda é limitada: o País responde por apenas 1,6% das importações europeias

A baixa participação, porém, é vista como oportunidade. “Este estudo mostra que, embora o Brasil já tenha presença relevante no comércio com a União Europeia, ainda há um potencial significativo a ser explorado, especialmente em produtos de maior valor agregado. O acordo com o bloco europeu tende a ampliar o acesso ao mercado e estimular a diversificação das exportações brasileiras”, afirma Gustavo Ferreira, Gerente de Inteligência da ApexBrasil.

Hoje, a pauta exportadora segue concentrada em commodities como petróleo, café, soja e minérios — os principais itens somam quase metade das vendas ao bloco. A nova etapa do acordo, no entanto, favorece justamente a ampliação dessa cesta, com oportunidades mapeadas em 6.677 produtos, incluindo máquinas, equipamentos de transporte, alimentos processados e bens manufaturados.

Implementação gradual

O impacto inicial deve ser mais intenso na indústria, que concentra a maior parte dos quase 3 mil produtos beneficiados nesta fase. Setores como metalurgia, químicos e máquinas já aparecem entre os mais promissores. Ao mesmo tempo, o agronegócio também ganha fôlego com a ampliação de cotas para itens estratégicos, como carnes, açúcar, etanol, mel e frutas.

Além da redução tarifária — que alcança mais de 80% das exportações brasileiras de imediato —, o acordo prevê uma implementação gradual, com prazos que podem chegar a 30 anos em segmentos mais sensíveis. Esse cronograma é visto como essencial para a adaptação da indústria e o alinhamento às exigências regulatórias europeias, especialmente em temas ambientais e sanitários.

O estudo também destaca o papel da União Europeia como principal investidor estrangeiro no Brasil. Em 2024, o estoque de investimento direto do bloco atingiu US$ 464,4 bilhões, o equivalente a 40,7% do total no País, com forte presença em setores como indústria, energia e infraestrutura.

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