Colaboradora
Publicado em 29 de agosto de 2026 às 10h21.
Na última terça-feira, 25, a economista Cristiane Schmidt representou a candidatura à Presidência do senador Ronaldo Caiado (PSD) no painel "Competitividade nos planos do governo: debate com coordenadores das campanhas à Presidência da República", realizado em São Paulo, no evento Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate, promovido pela EXAME em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC).
Na ocasião, Schmidt defendeu o investimento em logística e redução do custo de energia para melhorar os resultados financeiros do país. Também reforçou que o excesso de gastos públicos (e não apenas os impostos) contribuem para o problema fiscal do Brasil.
Na ocasião, o painel reuniu representantes das cinco candidaturas presidenciais mais bem posicionadas nas pesquisas eleitorais para o pleito de 2026: Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema e Renan Santos.
A conversa foi dividida em três blocos temáticos:
Cada bloco teve uma pergunta dirigida a cada um dos convidados em cada bloco. A mediação ficou a cargo de André Martins, da EXAME, e Tatiana Ribeiro, do MBC.
Cristiane Schmidt defende diminuição de gastos públicos. (Eduardo Frazão/MBC)
Schmidt abriu sua fala alinhando-se ao diagnóstico de que o excesso de gastos públicos, e não os juros, é a origem do problema fiscal brasileiro.
A representante de Caiado citou um crescimento de 23% nas despesas primárias contra 11% do PIB no período recente, o que pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter os juros elevados.
Também resgatou a trajetória fiscal do país desde 2003, passando pela deterioração das contas a partir de 2014 e pela mudança de regras com a PEC da Transição em dezembro de 2022, para defender que um "choque de expectativas" — nos moldes do que classificou como estratégia de continuidade adotada por Lula em seu primeiro mandato — é necessário para conter a trajetória da dívida pública, hoje em 82% do PIB.
Schmidt defendeu ainda um pacto entre os Poderes e a sociedade para negociar um "cardápio de medidas" de ajuste, com foco na revisão de emendas parlamentares e de subsídios como os da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que somam R$ 60 bilhões.
"Arrumar a casa ninguém gosta, mas a sujeira está muito grande", disse, defendendo que o ajuste fiscal preceda qualquer agenda de produtividade.
Já quando questionada sobre a meta do plano de governo de Caiado de elevar o investimento a 25% do PIB, Schmidt apresentou um diagnóstico comparativo sobre o atraso brasileiro: a produtividade do trabalhador brasileiro equivaleria a um quarto da americana.
De acordo com ela, o PIB per capita do país (US$ 10 mil) fica muito abaixo do estado mais pobre dos Estados Unidos, o Mississippi (US$ 55 mil), e a taxa de investimento nacional, de 17% do PIB, está bem aquém da média dos países ricos (34%) e mesmo dos emergentes (21%).
Ela comenta que apesar de o Brasil tributar a economia em patamar semelhante ao da OCDE (34% do PIB), não entrega serviços públicos equivalentes.
Como exemplo de gestão eficiente, citou sua passagem pela Secretaria de Economia de Goiás, onde o estado teria alcançado avanços no Ideb sem grandes aportes adicionais de recursos, a partir de ganhos de governança, além do maior investimento por Receita Corrente Líquida do país em 2021.
Schmidt defendeu reduzir o custo da energia e do gás natural e ampliar investimentos em logística. Atualmente, segundo ela, em torno de 2% do PIB, considerando os setores público e privado, ante 0,7% do PIB apenas de investimento público.
No terceiro eixo, sobre a reforma administrativa, Schmidt defendeu um Estado redimensionado, com foco em áreas em que o setor privado não pode atuar como a defesa nacional, segurança pública e regulação, e também fortalecimento de agências reguladoras, do Banco Central e do Cade.
Outro ponto defendido foi uma maior agilidade e previsibilidade no licenciamento ambiental, citando a experiência de Goiás e Mato Grosso do Sul como exemplos de estados que dialogam com o setor produtivo sem abrir mão da responsabilidade ambiental, e mencionou a Margem Equatorial como exemplo de recurso a ser explorado.
Criticou a fragmentação do funcionalismo público e defendeu a criação de carreiras comuns entre órgãos, além de maior incorporação de inteligência artificial e inovação na gestão pública.
Schmidt destacou ainda que a despesa discricionária representa hoje menos de 9% do orçamento federal, o que, na sua avaliação, impede que o presidente eleito execute seu programa de governo.
Como experiência aplicável em nível federal, relatou o trabalho feito em Goiás para equacionar o estoque de precatórios do estado, incluindo a revisão da legislação que gerava novos passivos.
Encerrou defendendo um pacto entre os Poderes para viabilizar o ajuste fiscal, ação coordenada com governadores no combate ao crime organizado e a formação de uma equipe técnica nos 100 primeiros dias de um eventual governo Caiado, com a produtividade e a redução de custos para empresários como etapas seguintes ao ajuste.
Cristiane Schmidt integra a campanha de Ronaldo Caiado (Eduardo Frazão/MBC)
Cristiane Schmidt é economista, mestre e doutora em Economia pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV) e já atuou como pesquisadora visitante na Universidade Columbia, nos Estados Unidos.
Atualmente preside a MSGÁS, companhia de gás do estado de Mato Grosso do Sul, cargo do qual se licenciou para integrar a campanha presidencial de Ronaldo Caiado como porta-voz da área econômica.
Sua ligação com Caiado remonta à gestão dele à frente do governo de Goiás: Schmidt comandou a Secretaria de Economia (Fazenda, Orçamento e Planejamento) do estado entre 2019 e 2023, período em que o governo goiano promoveu a recuperação das contas públicas e ampliou recursos para áreas como saúde, educação, segurança pública e programas sociais.
Antes disso, já havia atuado como secretária da Fazenda de Goiás na gestão de Caiado, com um perfil identificado com a agenda liberal e de austeridade fiscal.
Antes de se juntar à campanha do senador, Schmidt chegou a conversar com integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, incluindo a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques.
Optou, no entanto, por colaborar com o plano de governo de Caiado, cuja coordenação segue a cargo do ex-deputado federal e ex-ministro Roberto Brant.
Na campanha, Schmidt tornou-se a principal voz técnica da área econômica do presidenciável do PSD, papel que exerceu no painel promovido pela EXAME e pelo MBC.