Economia

UE e Brasil se aproximam de acordo sobre terras raras, diz presidente da Comissão Europeia

Declaração ocorreu nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, durante cerimônia que celebrou o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, negociado há 25 anos

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Palácio do Itamaraty. Rio de Janeiro (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Palácio do Itamaraty. Rio de Janeiro (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 20h44.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 20h44.

Tudo sobreAcordo UE-Mercosul
Saiba mais

A União Europeia manifestou interesse em garantir acesso aos minerais críticos do Brasil, considerados essenciais para a transição energética e a estabilidade geopolítica do bloco. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que negocia com o governo brasileiro um acordo específico para investimentos em lítio, níquel e terras raras — recursos classificados como estratégicos.

A declaração ocorreu no Rio de Janeiro, durante cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual também foi celebrado o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, negociado há 25 anos.

"Fico feliz em ver que o Brasil e União Europeia estão chegando a um acordo político sobre matérias-primas, com projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. E isso é importante para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção", declarou von der Leyen.

Apesar de ocorrerem no mesmo evento, os dois acordos têm escopos distintos: o tratado comercial é amplo e multissetorial, enquanto a cooperação em minerais foca exclusivamente em cadeias críticas de suprimentos.

Sem mencionar outros países com interesses nas reservas brasileiras, a presidente da Comissão Europeia afirmou que a proposta europeia busca se diferenciar por garantir independência mútua na relação. Segundo Ursula von der Leyen, essa abordagem ocorre “em um mundo em que os minerais tendem a se tornar instrumento de coerção”, sinalizando preocupação com a crescente instrumentalização geopolítica dos recursos minerais.

"Nós na Europa vamos sempre cumprir os mais elevados padrões em termos de transparência, respeito ao meio ambiente E sempre nos garantiremos que comunidades locais serão as maiores beneficiárias do valor criado, para que todos sejam beneficiados. Essa é a forma que a Europa usa para fazer negócios", completou a presidente da Comissão Europeia.

Interesse nos recursos do Brasil

O avanço das negociações com a União Europeia ocorre em um momento de intensificação da disputa global por minerais estratégicos. Os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, também passaram a manifestar interesse direto nas reservas brasileiras, especialmente nas de terras raras.

O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida desse tipo de minério, atrás apenas da China. No entanto, grande parte da produção nacional ainda é exportada sem processamento industrial, o que limita o valor agregado retido internamente.

As terras raras — conjunto de 17 elementos químicos usados em turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos médicos e aplicações militares — tornaram-se ativos centrais nas cadeias de valor de alta tecnologia. Enquanto a China mantém liderança no refino e no processamento, tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos buscam ampliar o número de fornecedores e reduzir dependências externas. Nesse contexto, o subsolo brasileiro passou a ocupar papel estratégico na geopolítica internacional.

Durante o evento no Rio de Janeiro, Ursula von der Leyen classificou o tratado comercial entre Mercosul e União Europeia como uma parceria de “ganha-ganha” e encerrou sua fala em português.

“Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, finalizou.

Acompanhe tudo sobre:Acordo UE-MercosulMercosulUnião Europeia

Mais de Economia

Fazenda projeta crescimento do PIB de 2,3% e IPCA de 3,6% em 2026

Ata do Copom: ciclo de cortes da Selic será conduzido com ‘serenidade’

Gastos com ex-presidentes superam R$ 9,5 milhões em 2025

Nova regra sobre trabalho em feriados deve entrar em vigor em março