Ucrânia responsabiliza FMI por desistir de associação com UE

O primeiro-ministro da Ucrânia afirmou que a política do FMI fez Kiev desistir, por enquanto, da assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia

Kiev - O primeiro-ministro da Ucrânia, Nikolai Azárov, afirmou nesta sexta-feira que a política do Fundo Monetário Internacional (FMI) é "a gota que transborda o copo" que fez Kiev desistir, por enquanto, da assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia.

"A última gota foi a postura do FMI, exposta em carta em 20 de novembro", apontou Azárov em seu discurso entre a Rada Suprema (Parlamento) para explicar aos deputados as razões que levaram o Governo a suspender, faltando uma semana, a assinatura do Acordo de Associação com os 28.

O primeiro-ministro criticou as duras exigências do FMI para refinanciar os créditos concedidos à Ucrânia em 2008 e 2010: "aumento das tarifas de gás e calefação para a população em 40%, congelamento dos salários, notório corte do gasto público e corte das subvenções energéticas".

"O FMI nos pôs condições para nos outorgar um crédito equivalente à quantidade que necessitamos para pagar precisamente nossa dívida com o próprio FMI", lamentou Azárov, segundo os meios de comunicação locais.

Ao mesmo tempo, o chefe do Governo ucraniano lembrou que Bruxelas não respondeu sobre como a Ucrânia pode compensar a perda dos mercados da União Aduaneira formada pela Rússia, Belarus e Cazaquistão que suporia a associação com a UE.

"É óbvio que a primeira questão para o Governo é a normalização das relações com a Federação da Rússia e a resolução de todos os pleitos" com este país, disse Azárov.


O primeiro-ministro advertiu que a drástica redução que sofreu nos últimos meses a troca comercial com a Rússia, motivada segundo alguns analistas pela iminente assinatura do Acordo de Associação, é uma séria ameaça para a economia ucraniana.

O líder lembrou que recentemente a agência de qualificação de riscos Fitch rebaixou a nota da Ucrânia a partir da piora das relações econômicas e comerciais russo-ucranianas.

"Parar a assinatura do acordo de associação é difícil, mas é a única saída possível na situação econômica atual", insistiu Azárov, que acrescentou que a decisão é baseada em "causas exclusivamente econômicas e não muda a estratégia do desenvolvimento da Ucrânia", orientada rumo à integração com a União Europeia.

O Governo ucraniano decidiu ontem de maneira unilateral suspender os preparativos para a assinatura do acordo de associação prevista para a cúpula da Associação Oriental de 28 e 29 de novembro em Vilnius.

A Ucrânia aposta pelo início de novas negociações entre Kiev, Moscou e Bruxelas para limar as asperezas "e avançar por um caminho que não suponha perdas catastróficas para a economia da Ucrânia", reiterou hoje o primeiro-ministro.

"Nossos parceiros (russos) estão preocupados pela possível entrada através da Ucrânia (em seu mercado) de produtos europeus sem encargos alfandegários. Por isso, se propôs a realizar negociações para regular estas questões", disse.

A oposição em bloco tratou de impedir o discurso de Azárov na Rada, com gritos de protesto, e também com lançamento de papéis e jornais à tribuna ocupada por membros do Governo.

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