Economia

'Tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez com o Pix', diz Larry Fink

CEO da BlackRock afirma que Brasil está entre os países mais bem posicionados para se beneficiar da digitalização financeira, da expansão da IA e da crescente demanda global por energia

Larry Fink, CEO da BlackRock, e Armando Senra, head de Americas: líder global da gestora aponta um desencontro entre demanda e oferta na IA (Luciano Pádua/Divulgação)

Larry Fink, CEO da BlackRock, e Armando Senra, head de Americas: líder global da gestora aponta um desencontro entre demanda e oferta na IA (Luciano Pádua/Divulgação)

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 11 de maio de 2026 às 20h25.

Última atualização em 11 de maio de 2026 às 20h27.

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NOVA YORK — O CEO da BlackRock, Larry Fink, afirmou que o Brasil possui vantagens competitivas relevantes para a nova economia digital e elogiou o avanço do país em sistemas de pagamentos, digitalização financeira e adoção tecnológica.

“Tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez ao criar o Pix. Gostaria que tivéssemos isso aqui”, afirmou Fink nesta segunda-feira, 11, durante evento promovido pela Amcham e pela BlackRock, realizado na sede da gestora em Nova York.

Ao longo da conversa, o executivo citou o Brasil diversas vezes como um dos países emergentes mais bem posicionados para se beneficiar de tendências como digitalização financeira, tokenização de ativos, expansão da inteligência artificial e aumento global da demanda por energia.

Segundo Fink, poucos países conseguiram construir uma infraestrutura digital com adoção tão ampla pela população quanto o Brasil.

“O Brasil tem uma vantagem”, afirmou.

Na avaliação do executivo, a população brasileira já possui uma “mentalidade digital”, o que pode acelerar novas transformações no sistema financeiro e no mercado de capitais.

Fink afirmou que o Pix ajudou a formalizar parte da economia brasileira.

“O Pix realmente permitiu transformar a economia informal em formal”, disse. “Menos fraude, menos corrupção.”

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Adoção de tecnologia financeira

O executivo também destacou o avanço do Brasil na adoção de tecnologias financeiras, apontando que o país já aparece entre os líderes globais em uso de criptomoedas e pagamentos digitais.

Segundo ele, a próxima etapa da transformação financeira global será a tokenização de ativos.

“Quando falo de digitalização, estou falando de tokenizar ações, tokenizar títulos, tornar tudo digital”, afirmou. “É para onde o mundo está indo — e isso vai acontecer muito rapidamente.”

Na avaliação de Fink, investidores passarão a concentrar em carteiras digitais ativos como dinheiro, crédito, ações, títulos e imóveis tokenizados.

O executivo comparou o estágio atual da tokenização aos primeiros anos da internet comercial.

“Estamos nos primeiros dias disso”, afirmou.

Na avaliação do CEO da BlackRock, Brasil e Índia têm vantagem estrutural relevante na digitalização financeira por já contarem com ampla adoção de pagamentos instantâneos e infraestrutura digital consolidada.

“Brasil e Índia são os únicos países que realmente têm essa mentalidade digital”, afirmou.

Para Fink, essas transformações podem ampliar o acesso ao mercado financeiro, acelerar investimentos e expandir oportunidades econômicas ao longo das próximas décadas.

O Brasil e a IA

Fink também associou o potencial brasileiro à nova corrida global por infraestrutura energética impulsionada pela inteligência artificial. Para ele, países com abundância de recursos naturais e capacidade competitiva de geração elétrica terão vantagem estratégica na próxima década.

“Em países como o Brasil, que têm abundância de sol e hidrocarbonetos, isso pode representar um florescimento para o Brasil”, afirmou.

Para o CEO da BlackRock, energia barata tende a se tornar um dos principais fatores de competitividade econômica em um cenário de expansão acelerada de data centers e infraestrutura de IA.

“Se não tivermos energia barata suficiente, será difícil para um continente ou um país competir”, disse.

Destino de investimentos

Fink também afirmou que Brasil e México devem estar entre os principais destinos de capital internacional na América Latina nos próximos anos.

“Acho que os dois lugares para onde o capital vai se direcionar, no geral, serão Brasil e México”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil reúne vantagens relacionadas a recursos naturais, mercado doméstico e capacidade energética. Mas ponderou que a atração de capital depende da capacidade de ampliar a participação de investidores locais no financiamento da economia.

Fink ppnderou que muitos países começam a perceber que não querem depender excessivamente da importação de capital estrangeiro para financiar crescimento e infraestrutura.

“Mais e mais países estão dizendo: eu não quero ficar tão exposto à importação de capital para fazer meu país crescer”, afirmou.

De poupador a investidor

Nesse contexto, o executivo defendeu que governos estimulem a transformação de poupadores em investidores, especialmente por meio de sistemas de aposentadoria privada e investimento de longo prazo.

Historicamente, disse Fink, os brasileiros mantiveram grande parte de seus recursos em caixa ou aplicações conservadoras.

“Se você está na renda fixa, você é um inquilino”, afirmou. “Você não está crescendo junto com o seu país.”

Segundo ele, ampliar a participação da população no mercado de capitais pode aumentar o investimento doméstico, reduzir dependência externa e estimular crescimento econômico de longo prazo.

“Precisamos transformar poupadores em investidores”, disse.

Fink citou ainda o Japão como exemplo de país que estimulou investidores locais a ampliarem exposição ao mercado acionário doméstico, movimento que, segundo ele, ajudou a impulsionar a bolsa japonesa e atrair capital estrangeiro.

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