Economia

Sem reajuste da Petrobras, defasagem do diesel sobe a 20% e a da gasolina a 18%

Especialistas preveem que após a eleição presidencial os preços devem subir, o que é negado pela estatal

Combustíveis: Petrobras alega utilizar outra fórmula para medir a defasagem de preços e relação ao mercado internacional (Sergio Moraes/Reuters)

Combustíveis: Petrobras alega utilizar outra fórmula para medir a defasagem de preços e relação ao mercado internacional (Sergio Moraes/Reuters)

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Estadão Conteúdo

28 de outubro de 2022, 13h12

Com os preços ainda congelados pela Petrobras, que alega utilizar outra fórmula para medir a defasagem de preços e relação ao mercado internacional, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) registrou, no fechamento da quinta-feira, 27, preços 20% menores para o diesel e de 18% para a gasolina no mercado brasileiro. A estatal está há 56 dias sem alterar o preço da gasolina e há 38 dias sem reajustar o diesel.

Segundo apurou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o governo pressiona a empresa para manter os preços inalterados pelo menos até o fim do segundo turno das eleições, no próximo domingo.

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Especialistas preveem que após a eleição presidencial os preços devem subir, o que é negado pela Petrobras, que afirma que utiliza uma metodologia diferente para medir a defasagem e que seus preços, no momento, estão alinhados ao mercado internacional.

Para o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, causa surpresa a empresa não fazer reajustes, após mais de 15 dias de defasagem nos preços dos combustíveis, já que quando o petróleo caiu de preço, em setembro, a estatal reduziu imediatamente tanto a gasolina como o diesel.

"Eu vejo com surpresa, porque, se olharmos para algumas semanas atrás, a Petrobras trabalhava com o preço acima da paridade nos cálculos da Abicom e, naquele momento, reduziu preços e passou a tangenciar as curvas do PPI [Preço de Paridade de Importação] preparadas por nós. Então não entendo essa diferença agora", disse Araújo.

Na prática, o executivo afirma que os parâmetros da Abicom bateram com os da Petrobras para a baixa de preços, e estranha que agora, sob pressão altista, o mesmo não aconteça. Com os preços atuais, os pequenos importadores associados da Abicom não têm condições de trazer os combustíveis de fora pela falta de competitividade.

De acordo com levantamento da Abicom, para alinhar os preços com o mercado internacional as refinarias brasileiras deveriam elevar, em média, a gasolina em R$ 0,75 por litro e o diesel em R$ 1,25 por litro.

Na Bahia, onde funciona a única refinaria de grande porte privada do País, vendida pela Petrobras no ano passado, as defasagens são menores. Segundo a Abicom, a diferença de preços no mercado baiano é de 13% no caso do diesel e de 8% na gasolina.

Principalmente o preço do diesel tem sido pressionado no mercado externo por conta do início do inverno no Hemisfério Norte, que se soma à queda de oferta por causa da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Mas a gasolina também tem seguido uma tendência altista pelo aumento de consumo nos Estados Unidos.