RH é fraqueza de São Paulo e Rio, diz AT Kearney

Em ranking das cidades mais globalizadas do mundo, brasileiras são prejudicadas por carências nesses quesitos

Na corrida para se sobressair entre as cidades mais globalizadas do mundo, São Paulo e Rio de Janeiro são prejudicadas por deficiências principalmente nas áreas de recursos humanos e atividade econômica. A conclusão é de um estudo da consultoria americana AT Kearney, que analisou 60 cidades de todo o mundo. São Paulo obteve a 30ª colocação, e o Rio, a 47ª.

A pesquisa considerou cinco itens: nível de atividade econômica (30% da nota final), capital humano (30% da nota), capacidade de acessar e trocar informações (15%), atividade cultural (15%), e engajamento político (10%). "Para uma cidade ser realmente global, não importa apenas o nível de atividade econômica. As cidades podem ser atrativas por outros fatores", afirma Silvana Machado, vice-presidente da AT Kearney do Brasil.

É o caso de São Paulo. A maior cidade brasileira não faz feio em relação ao nível de atividade econômica. Neste quesito, a capital paulista fica em 16º lugar, à frente das demais cidades latinas do estudo e atrás apenas de medalhões como Nova York e Tóquio. Mesmo as cidades emergentes que se destacam à sua frente são chinesas, como Hong Kong, Xangai e Pequim, e, portanto, se beneficiam da acelerada expansão econômica de seu país.

Mas os paulistanos deixam a desejar em capital humano. Com 30% de contribuição para a nota final, esse é o item quem que a cidade tem seu pior desempenho - 36º lugar. Buenos Aires, que é a 33ª no ranking geral, aparece como a 16ª neste quesito. Para ser uma cidade global, São Paulo deveria ter a capacidade de atrair um forte contingente de estrangeiros, o que não ocorre. Ela também perde em quantidade de pessoas com terceiro grau completo, estudantes estrangeiros que freqüentam suas universidades - o que é reflexo de outro item em que São Paulo vai mal: o de instituições de ensino superior de nível internacional. "Para continuar crescendo, São Paulo terá de formar pessoas", afirma Silvana.

São Paulo também está um pouco abaixo da média - 31ª posição - em capacidade de trocar e acessar informações. A cidade se destaca ao possuir uma boa quantidade de consultorias e centros de pesquisa que geram publicações internacionais. Também é razoavelmente coberta pela mídia mundial. Mas perde a corrida no número de assinantes de internet banda larga. Para se ter uma idéia, Roma, a 30ª colocada nesse item, tem cerca de oito vezes mais assinantes.


A cidade ficou acima de sua colocação geral no item cultura - 27º lugar -, que considera desde a quantidade de eventos esportivos até a qualidade da gastronomia local, passando por exposições e visitantes estrangeiros. São Paulo também apresentou um desempenho melhor no quesito engajamento político - 23ª posição. Esse item abrange desde o número de embaixadas e consulados existentes na cidade, até a capacidade de estabelecer parcerias com o poder público.

Rio de Janeiro

O item em que os cariocas mais se sobressaíram é na atividade cultural, que representa 15% da nota final. Ficaram em 22º lugar, à frente dos paulistanos. "Se não fosse pela sua força cultural, talvez o Rio nem estivesse no ranking, porque sua atividade econômica não foi bem avaliada", afirma Silvana. Para a consultora, reforçar o lado cultural da capital fluminense pode ser um meio de aumentar sua inserção no cenário global. Ela sugere investir na organização de mais eventos culturais e esportivos, a fim de atrair turistas e fomentar o setor. "É preciso olhar essas atividades como fonte de negócios", diz.

Em relação à economia e aos negócios, a cidade ficou em 44º lugar, prejudicada pelo menor número de instituições financeiras e prestadoras de serviços de porte mundial sediadas ali, pela menor troca de bens com outras cidades, e pelo menor número de eventos de negócios realizados, como feiras e conferências.

Quanto ao capital humano, que contribui com 30% da nota final, o Rio foi classificado na 47ª posição. Já em relação ao nível de atividade política, os cariocas ficaram em 46º lugar. O quesito em que o Rio foi pior avaliado foi o de acesso e troca de informações, no qual recebeu a 50ª colocação. Apesar de ter uma boa quantidade de centros de pesquisa e consultorias gerando publicações internacionais, os cariocas ainda carecem de maior cobertura internacional e de mais assinantes de banda larga, segundo a AT Kearney.

Classificação geral

Esta é a primeira pesquisa sobre cidades globalizadas da AT Kearney, que, até então, vinha analisando a inserção global apenas dos países. Nova York é a cidade mais globalizada, segundo o estudo, seguida por Londres, Paris, Tóquio, Hong Kong, Los Angeles, Cingapura, Chicago, Seul e Toronto.

Entre os emergentes, também se destacaram Pequim, na 12ª posição, Moscou (20º), Xangai (21º), Bangcoc (22º), Cidade do México (25º) e Istambul (28º). "Estas são cidades que podem servir de exemplo para o desenvolvimento das brasileiras", diz Silvana.

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