Recuperação da economia será em W, U, L, V, Z ou símbolo da Nike? Entenda

Diferentes cenários traçados por economistas para o pós-coronavírus mostram profundidade da queda da atividade e velocidade da retomada

Um meteoro, um tsunami ou uma guerra: o que não faltam são metáforas para ilustrar a escala do impacto sobre a economia global trazido pela covid-19.

A doença e as medidas de isolamento social causam choques de oferta e demanda, falências em massa, destruição de empregos e perda de salários – uma tempestada perfeita, para usar outra metáfora.

Há dúvidas sobre o tamanho do tombo e especialmente sobre a velocidade da recuperação diante de incertezas básicas, como o tempo para termos uma vacina, e próprias de cada país, como a crise política no Brasil.

Mas apesar das diferenças, economistas costumam falar de seis formatos de recuperação: Z, V, W, Visto, U e L. Entenda:

Formatos de recuperação do PIB

Recuperação em Z

Este é o cenário mais otimista: a economia cai de forma intensa, mas depois salta e fica por um tempo acima da sua trajetória pré-pandemia. Poderia se supor, por exemplo, que parte da demanda reprimida durante o isolamento, como por cortes de cabelo, voltaria com tudo de forma concentrada.

No entanto, uma recuperação em Z não é mais sequer mencionada como uma possibilidade nesta crise.

Recuperação em V

Neste tipo de retomada, a atividade tem uma queda vertiginosa, atinge o fundo do poço e depois sobe com a mesma velocidade. Poderia ser o caso, por exemplo, caso houvesse otimismo generalizado com a chegada de uma vacina ou remédio.

Há duas semanas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, expressou confiança de que a recuperação em V poderia ocorrer por aqui. Essa expectativa, no entanto, tem perdido força ao redor do mundo.

Uma pesquisa do Bank of America com gestores de fundos globais, divulgada na semana passada, aponta que atualmente apenas 10% esperam uma recuperação neste formato.

Recuperação em W

O formato de retomada em W é como uma montanha-russa, com sucessivas quedas e retomadas. Isso poderia acontecer caso haja um ressurgimento violento do coronavírus onde ele já havia sido controlado, por exemplo, exigindo uma nova rodada de isolamento.

Um exemplo deste tipo de recuperação foi a zona do euro pós-2008. Primeiro houve a recessão da crise financeira e sua posterior retomada. Em seguida houve uma nova queda da atividade, causada pela crise da dívida em países como Itália e Espanha, e um novo ciclo de recuperação.

Recuperação em sinal de visto, ou “símbolo da Nike”

Neste formato, que vem ganhando espaço nas previsões de economistas, há uma queda inicial forte e depois uma recuperação lenta, mas constante, em direção ao ritmo pré-pandemia.

Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley e ex-consultor sênior no Fundo Monetário Internacional (FMI), está entre os que esperam este formato devido a uma cautela generalizada.

“As famílias se deram conta que não tinham poupanças suficientes para lidar com o choque. Elas estarão preocupadas de que o vírus vai voltar, ou que haverá outro choque igualmente severo, então veremos mais poupança como forma de precaução”, disse em entrevista recente para EXAME.

“Além disso, as empresas não estarão dispostas a se comprometer com projetos ambiciosos de investimento enquanto não estiverem certas de que o vírus não vai retornar”, completa.

Recuperação em U

Neste formato, a economia tomba de uma vez mas depois custa a se recuperar, apesar de chegar lá eventualmente.

A hipótese neste caso é que mesmo se o vírus tiver sido de alguma forma controlado, ainda haverá fatores como capacidade ociosa na indústria e uma necessidade de digerir a dívida pública e privada criada na pandemia.

Este tende a ser o formato da recuperação no Brasil, disse o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, no último dia 13.

Recuperação em L

Este é o pior cenário. A queda é vertiginosa no momento inicial, mas o crescimento posterior é lento e fica constantemente em patamar abaixo do que teria sido verificado sem a pandemia.

O economista Nouriel Roubini, conhecido como Dr. Desastre por suas previsões frequentemente pessimistas, vê este cenário se desenhando. Em entrevista recente para a BBC Asia, ele alertou para um crescimento “anêmico” com anos e anos de “depressão e dívida”.

A verdade é que ninguém sabe o que vai acontecer, com o vírus ou com a economia. Estamos na mão não apenas da ciência, mas de cidadãos e governos que reagem às circunstâncias inéditas de formas muitas vezes imprevisíveis. A sopa de letrinhas ainda vai dar muito o que falar.

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