Ratings podem subir com política fiscal de Dilma, diz Fitch

Segundo a agência, níveis baixos de poupança e investimento limitam o potencial de crescimento

São Paulo - Os ratings de crédito do Brasil podem subir do mais baixo patamar do grupo de grau de investimento caso a presidente eleita, Dilma Rousseff, exerça “moderação fiscal” após assumir o cargo, em 1 de janeiro, disse a Fitch Ratings.

Dilma deve frear o crescimento dos gastos públicos e reduzir o déficit evitando “complacência” à medida que dá sequência às políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse a Fitch em comunicado, fazendo coro aos comentários de ontem da Standard & Poor’s. As reformas fiscal e trabalhista são necessárias para aumentar o investimento o suficiente para acompanhar o ritmo do crescimento econômico, que deve superar os 7 por cento neste ano, disse a Fitch.

“Rousseff está herdando uma economia saudável em que a receita fiscal deverá continuar crescendo a belas taxas”, disse o comunicado. “O desafio para seu governo é aproveitar essa oportunidade para moderar o atual crescimento nos gastos. Os níveis relativamente baixos de poupança e investimento limitam o potencial de crescimento econômico.”

Em junho, a Fitch elevou sua perspectiva para o rating BBB- do Brasil para positiva, citando “dinâmicas de crescimento” e políticas “prudentes”. Os esforços para reduzir a dívida podem levar a uma “elevação mais rápida de seus ratings” e os ajustes fiscais são “muito importantes”, disse ontem Sebastian Briozzo, diretor da S&P na América Latina. A maior economia latino- americana foi elevada para grau de investimento pela Fitch e pela S&P em 2008 e pela Moody’s Investors Service no ano passado, após a disparada nas reservas cambiais do País.

Credibilidade

A “credibilidade” brasileira pode ser ameaçada pelo aumento na dívida causada pelos empréstimos do Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, disse a Fitch. Os bancos estatais respondem por mais de 40 por cento dos empréstimos entre instituições financeiras, disse o comunicado.

Dilma, que atuou como ministra-chefe da Casa Civil no governo Lula, também pode ser prejudicada em seus esforços pelo Congresso, disse a Fitch. Ela disse ontem que quer reduzir a dívida pública dos atuais 41 por cento do Produto Interno Bruto para 38 por cento até 2014, após ter prometido durante a campanha reduzir essa relação para 30 por cento.

“Resta saber se a presidente eleita Rousseff irá gastar seu capital político no início de seu mandato para aprovar reformas econômicas significativas”, disse a Fitch. “Ela teria que administrar uma grande mas desajeitada base aliada de forma eficaz para conseguir apoio para sua agenda.”

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